Ecovia do Vez: Etapa 3

“Qual é a diferença entre sopa e caldo? _A sopa é passada, já o caldo é assim, tudo inteiro, como se faz aqui na terra”, explicava a D. Amélia, dona do café A Tasquinha, em Sistelo. Assim é a Etapa 3 da Ecovia do Vez… feita de coisas “da terra”: uma palete de cores sazonais; trilhos e passadiços que rasgam montanhas e vales unindo homem e natureza; rios e cascatas que eternizam o som da água; brandas, ruínas e arquiteturas populares; socalcos que penteiam o mato. A cada curva uma surpresa.

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Fazer a Etapa 3 da Ecovia do Vez era uma promessa feita quando, em outubro passado, finalizamos a Etapa 2 que liga os Arcos de Valdevez a Vilela  (Ecovia do Vez – Etapa 2). Começamos onde acabamos, Vilela – Sistelo seria a próxima paragem. E assim foi.  Deixamos o carro em Vilela e seguimos o trilho (sempre muito bem assinalado). Mochila às costas, roupa quente e confortável, máquina fotográfica e boa disposição. O dia pedia passeio.

Esta é uma Etapa mais acidentada que a anterior. No período em que fomos, ainda mais, por causas das cheias que danificaram as margens do rio. Tem subidas e descidas mais íngremes, algumas delas com bastantes pedras, num trilho em que os passadiços são intermitentes e exigentes. 10 km de uma paisagem fantástica, mas não imune aos incêndios que fustigaram as nossas florestas este verão. 10 km que se fazem de paragens obrigatórias, onde quiser, escolha! O que importa é permitir-se ouvir a natureza, inclusivé os seus silêncios. A meio do percurso, beirando o rio, o descanso teve sabor a merenda.

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A chegada a Sistelo faz-se por um dos seus trilhos – o trilho dos passadiços. Na bifurcação seguimos pela direita, atravessamos uma pequena ponte de cimento que nos levou pelo meio da povoação. A subida é exigente, mas feita das coisas “da terra”. Primeiro o empedrado do chão, depois os socalcos verdejantes, mais à frente avistamos o Castelo de Sistelo. Já na povoação, o cruzeiro e as alminhas, o chafariz mesmo no centro, a igreja matriz, o (único) café, e os inícios dos vários trilhos que são as artérias que espandem a aldeia. Na rua, poucas pessoas, quase nenhuma… estava muito frio. Só mesmo a quantidade de informações e sinalizações para nos dizer que tínhamos chegado a um lugar muito procurado e visitado. Sistelo, o “pequeno tibete português”, como foi apelidado.

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Regressamos a Vilela de táxi (ver no fim do post Dicas úteis). Enquanto esperávamos que Sr. Márcio (taxista) chegasse, tomamos um café na Tasquinha e conversamos com a D. Amélia, que já apresentamos em cima. Não há como não conversar com as gentes da terra! Tanto que temos para aprender. Já de regresso, paramos nos Arcos de Valdevez para um almoço tardio, num restaurante aconselhado pelo taxista. Não podia ter sido melhor a escolha – Churrascaria O Braseiro. Comida saborosa, espaço aprazível e funcionários simpáticos e hospitaleiros. No final, por sugestão da casa, uma fatia de Bolo de Discos (bolo de amêndoas e ovos moles, especialidade da doçaria tradicional dos Arcos de Valdevez) e, à boa moda nortenha, garrafa de aguardente velha e de licor em cima da mesa. Que não nos falte nada!

No final, sempre aquela certeza de que queremos voltar. Tanto que fica por ver, por fazer e por sentir. E o segredo destes locais é, como nas palavras da D. Amélia, serem assim, simples expressão do que se faz na terra.

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pensamento2 Dicas úteis

  • Existe muita informação disponível sobre a Ecovia do Vez, desde o site da Câmara Municipal dos Arcos de Valdevez, aos blogues com partilhas várias de quem já fez o trilho. Há excursões organizadas, grupos formados, mas podes ir por tua conta. Os acessos são fáceis e o trilho está muito bem sinalizado. Aconselhamos a entrar em contacto com a Loja de Turismo dos Arcos de Valdevez. Eles enviam/ fornecem informação detalhada sobre a ecovia (links e flyer informativo), o horário dos transportes públicos de ligação entre os locais, e o contacto do serviço de taxis.
  • Como regressar? Uma vez que fomos por conta própria, o regresso, depois de terminada a(s) etapa(s), era uma das nossas preocupações. Há várias alternativas. 1) Regressar a pé pelo mesmo caminho. Apesar de duplicar a distância, a paisagem é sempre diferente. O que ficou nas costas passa a estar de frente! 2) Regressar de autocarro, mas temos de acautelar os horários, pois não existem muitas opções. 3) Regressar de taxi é outra solução. Mais cara, mas também mais confortável e rápida.  Sistelo – Vilela pagamos 15€. Não há taxis em Sistelo, eles têm de vir dos Arcos de Valdevez. 4) Regressar à boleia. Esta foi a nossa opção quando fizemos a Etapa 2 da Ecovia. É mais demorada, mais arriscada, mas também pode ser bem divertida.
  • Para este tipo de caminhadas recomenda-se levar merenda. Mas não se esqueçam que não há caixotes do lixo e por isso devem trazer tudo o que levaram. Respeitar a natureza é condição!
  • Em Sistelo só existe um café e um restaurante – A Tasquinha. Tem sempre caldo e  petiscos da terra, mas se quiser almoçar tem de encomendar (contacto: 962699811)

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