Valência e o charme da cidade velha

Valência mantém o seu centro histórico bem tradicional e charmoso. Como é relativamente pequeno torna-se fácil de explorar a pé. Se tivermos presente a diversidade de povos que  dominaram a cidade o longo da sua história – fundada pelos romanos em 138 a.C., passou para a mão dos muçulmanos em 711 e foi conquistada pelos cristãos em 1238 – é fácil perceber a diversidade de estilos arquitectónicos que encontramos. No meio de ruas, ruelas e praças, encontramos construções majestosas e seculares, como é a Lonja de La Seda, um prédio gótico do século XV, antigo mercado de seda, é hoje património da humanidade. Foi construído com o intuito de mostrar o poder e a riqueza da cidade. Ou a Catedral de Valência, na Plaza de la Reina. Datada do século XIII, tem vários estilos arquitetónicos, do gótico ao neoclássico, o que lhe dá uma configuração diferente. No seu interior, trabalhos de arte lindíssimos, como as pinturas de Goya e de alguns discípulos de Leonardo da Vinci.

Mais do que a Catedral, é fascinante passear pelas ruas e praças circundantes, apreciar os detalhes e os entalhes na pedra. Demora-se por lá. Sentar um pouco e ver as pessoas a pass(e)ar. Ou ter a sorte de assistir a algum evento festivo tradicional. Os cantares, as cores, os trajes, a alegria. A cidade respira.

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Plaza de la Virgen
Neste deambular curioso quase sempre somos surpreendidos/as. Foi o que aconteceu quando entramos na Plaza Redonda. Daqueles sítios que temos vontade de trazer para casa. Está bem perto da Plaza de la Reina e do Mercado Central. Foi construída em 1840 por um arquiteto valenciano e é uma das praças mais pequenas de Valência. De uso exclusivo para peões, abriga várias lojinhas de souveniers, restaurantes e bares.

A paisagem do centro histórico é também marcada por imponentes palácios como o Palacio del Marquês dos Aguana Praça Pinazo. Um edifício do século XV,  hoje o Museu da cerâmica. É uma das atrações mais incríveis de Valência. Um deslumbre. A fachada barroca, toda esculpida em mármore alabastrino, é uma obra de arte sem igual.

Continuamos a caminhar. O mapa indicava-nos o caminho em direção à Estació del Nord. Mas antes de lá chegarmos, a cidade tinha mais um presente para nós, a Plaza del Ayuntamiento. Uma praça moderna e movimentada, cercada por lojas, cafés e hotéis. Centro financeiro da cidade, é lá que encontramos o edifício da Camara Municipal (Ayuntamiento). Um prédio moderno, mas monumental,  marcado por elementos valencianos, como a imagem do morcego, que é o símbolo da cidade. No seu interior, é indispensável a visita ao Salão de Cristal e subir o escadório em mármore que nos conduz a um balcão exterior que cobre o corpo central do piso principal. O dia estava quente, apesar de ser Outubro.

Um pouco mais à frente (a 200 m da Plaza del Ayuntamiento) a Estació del Nord e Plaza de toros. Uma bem ao lado da outra. O edifício da Estação é uma obra interessante. Inaugurada em 1917, apresenta elementos comuns a outros monumentos e edifícios da cidade. A sua fachada tem elementos góticos e referências simbólicas à cidade, como o morcego que se ergue bem alto na fachada central, ou os motivos vegetais, florais e as laranjas que homenageiam a industria e agricultura valencianas. No seu interior, o mosaico, a madeira, o vidro/ ladrilho e as cerâmicas com cores vivas. Lugar de entrada e saída da cidade, a Estació del Nord parece feita para garantir que quem chega e quem sai, leva sempre um pouco da cidade. A praça de touros é uma das mais antigas de Espanha (construída entre 1850 e 1859), e faz lembrar o coliseu romano, onde o arquiteto se inspiração. Apesar de não concordar com as touradas, não deixei de ficar rendida ao monumento. Vigoroso, sem dúvida. No exterior, uma estátua em memória de um dos maiores bandarilheiro valenciano que morreu numa das touradas.

O périplo ao centro histórico não fica completo se não visitarmos as Torres de Quart e Torres de Serranos, monumentos emblemáticos que formavam o que foi a muralha que rodeava a zona antiga da cidade. As Torres de Quart são torres gémeas, construídas no século XV. De estilo gótico tardio, foram consideradas um Monumento Nacional do Património espanhol, em 1931. As Torres de Serranos, estão situados no lado oposto às Torres de Quart, foram construídas no final do XIV, e consideradas a entrada principal da cidade. A imponência destas torres é impressionante. Olhar para elas é viajar no tempo e compreender a resistência de uma cidade. Sabiam que as torres cilíndricas eram consideradas as mais convenientes por resistirem melhor às mudanças no uso de artilharia? Estávamos no século XV.

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Torres de Serranos

Das muralhas de Valências restam apenas resquícios espalhados pela cidade. Além das torres, históricas, temos as Puertas de la Mar, que na realidade são um Monumento a los Caídos durante a Guerra Civil Espanhola (1946), mas que foram construídas sobre a antiga Puerta del Mar das muralhas de Valência.

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Puertas de la Mar ou Monumento a los Caídos durante a Guerra Civil Espanhola (1946)

Passear pela zona histórica de Valência implica visitar os dois principais mercados. O Mercado Central e o Mercado de Colón. Bem diferentes, é verdade, mas cada um com os seus encantos.

O Mercado Central é uma das principais obras do Art Nouveau valenciano. Quem entra é surpreendido com as cúpulas que deixam entrar muita luz colorida, como são os vitrais que a ornamentam. É um dos maiores mercados da Europa. Vende-se todo o tipo de alimentos (carne e enchidos, peixe e marisco, legumes e frutas, padaria, especiarias) entre os 300 comerciantes que ocupam as bancas. A mistura de aromas e cores torna a visita numa experiência para os sentidos. Merece várias visitas!

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Mercado Central, Praza Ciudade de Brujas, S/N

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O Mercado de Colón é considerado uma jóia da arquitetura moderna. Atualmente é um espaço renovado de lazer, com restaurantes, bares e cervejarias, gelatarias, mercado gourmet e barraquinhas de artesanato e produtos regionais. Aqui, o descanso teve sabor a sangria.

A zona histórica é feita de tudo isto. As ruas são medievais, estreitas e cheias de história… de velhas e novas histórias,  que dão cor ao ocre medieval, mas que nunca lhe tiram a identidade.

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Valência é muito mais do que a ciutat vella, mas sobre isso falaremos no outro post.

 


link-symbol_icon-icons.com_56927 Ver também:

A caminho de Valência…
Valência: o rio-jardim que nos leva às artes

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