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[Espanha] Valência: um rio-jardim que nos leva às artes

Há momentos que só queremos fazer uma escapadinha. Quebrar rotinas. Valência é o destino certo. Uma cidade situada na costa mediterrânea espanhola, que dizem ter 300 dias de sol e uma temperatura média de 19 graus. Valência supera todas as expectativas. Nela encontramos um pouco de tudo aquilo que gostamos numa cidade: sol, mar e praia; uma cidade plana e cheia de opções de lazer; arte, cultura e muita história, combinadas com uma vida cosmopolita; boa gastronomia e muita movida. É uma cidade para ser vivida por dentro e sentida na ponta dos dedos, pouco dada a roteiros. Do que gostamos mais em Valência? De tudo!

É um destino perfeito para se visitar durante todo o ano. Fomos três dias, em outubro, e o objetivo era conhecer, explorar e sentir a cidade. Claro que quando fazemos uma escapadinha, e os dias de permanência são poucos, é importante organizar a viagem. Aqui as perguntas impõem-se. Que tipo de viagem queremos fazer? Em que época do ano pretendemos ir? O que é possível visitar? As respostas definirão o grau de preparação.

conteúdos

Como chegar?
Onde ficar?
O que comer?
O que fazer?
1. O charme da cidade velha
2. Percorrer o Jardín de Turia
3. Visitar e perder-se na Cidade das Artes e da Ciência
4. Aproveitar as praias

como chegar?

Nós saímos do Porto. Os voos são bastante acessíveis, principalmente quando viajamos fora da época alta e compramos com alguma antecedência, como foi o nosso caso. Conseguimos um voo de ida e volta por 50€, na Ryanair. O aeroporto fica muito perto da cidade, cerca de 10 quilómetros. A melhor forma de nos deslocarmos para o centro é apanhando o metro, que sai do interior do aeroporto. Um conselho que damos é, à chegada, ainda no aeroporto, pararem no posto de informação turística. Dependendo do tipo de viagem/ visita que pretendes fazer a opção pela compra dos Valencia Tourist Card, pode ser uma boa opçãoEste cartão, de 24, 48 ou 72 horas inclui viagens nos autocarros, metros e elétricos (incluindo a viagem de ligação entre o aeroporto e o centro da cidade, de metro), a entrada em museus e edifícios públicos, e ofertas e descontos especiais.

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 Onde ficar?

A oferta de alojamento em Valência é imensa,  para todos os gostos, carteiras e tipos de viajantes. Como fomos em Outubro e o objetivo era explorar a cidade a pé e ficar mais perto das principais atrações turísticas, optamos por ficar num alojamento no centro histórico. Como queríamos um pequeno apartamento, que nos permitisse preparar refeições em casa (uma estratégia de poupança), procuramos na plataforma airbnb. Ficamos instalados no Deep Blue, que avaliamos de forma muito positiva. A localização é fantástica, mesmo no centro histórico, e o espaço era muito confortável, limpo e organizado. Claro que alojar-se no centro histórico, onde se concentram imensos restaurantes, cafés e esplanadas, é pedir para ter silêncio só a partir das duas da manhã. Então, o ideal, é mesmo ir para a rua  Todas as manhãs, durante o pequeno almoço, definimos o trajeto do dia (não o roteiro), sempre na esperança que a cidade nos surpreendesse.

O que comer?

Conhecer e explorar uma cidade implica provar as suas iguarias gastronómicas. Quem vai a Valência não pode deixar de comer a Paella valenciana, o prato típico e tradicional da região, que é feita com carne de frango e coelho, feijão-verde e açafrão. Provamos, não ficamos fãs. Continuamos a preferir as paelhas mistas com peixe e marisco. Para acompanhar o prato, ou para beber como aperitivo, experimentar a bebida da cidade, a Água de Valencia. De água só tem o nome, pois na realidade é uma espécie de sangria feita com cava, sumo de laranja, vodka e gin. Ao passear pela cidade é muito comum encontrar pequenas tendas de venda de  uma outra bebida típica, a orchata. Uma bebida não alcoólica que é produzida a partir da chufa, que é um tubérculo. Dizem que deve ser bebida fria e acompanhada por fartons, que é um bolo tradicional.

o que fazer?

1. o charme da cidade velha

Valência mantém o seu centro histórico bem tradicional e charmoso. Como é relativamente pequeno torna-se fácil de explorar a pé. Se tivermos presente a diversidade de povos que  dominaram a cidade o longo da sua história – fundada pelos romanos em 138 a.C., passou para a mão dos muçulmanos em 711 e foi conquistada pelos cristãos em 1238 – é fácil perceber a diversidade de estilos arquitectónicos que encontramos. No meio de ruas, ruelas e praças, encontramos construções majestosas e seculares, como é a Lonja de La Seda, um prédio gótico do século XV, antigo mercado de seda, é hoje património da humanidade. Foi construído com o intuito de mostrar o poder e a riqueza da cidade. Ou a Catedral de Valência, na Plaza de la Reina. Datada do século XIII, tem vários estilos arquitetónicos, do gótico ao neoclássico, o que lhe dá uma configuração diferente. No seu interior, trabalhos de arte lindíssimos, como as pinturas de Goya e de alguns discípulos de Leonardo da Vinci.

Mais do que a Catedral, é fascinante passear pelas ruas e praças circundantes, apreciar os detalhes e os entalhes na pedra. Demora-se por lá. Sentar um pouco e ver as pessoas a pass(e)ar. Ou ter a sorte de assistir a algum evento festivo tradicional. Os cantares, as cores, os trajes, a alegria. A cidade respira.

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Plaza de la Virgen

Neste deambular curioso quase sempre somos surpreendidos/as. Foi o que aconteceu quando entramos na Plaza Redonda. Daqueles sítios que temos vontade de trazer para casa. Está bem perto da Plaza de la Reina e do Mercado Central. Foi construída em 1840 por um arquiteto valenciano e é uma das praças mais pequenas de Valência. De uso exclusivo para peões, abriga várias lojinhas de souveniers, restaurantes e bares. 

A paisagem do centro histórico é também marcada por imponentes palácios como o Palacio del Marquês dos Agua, na Praça Pinazo. Um edifício do século XV, hoje o Museu da cerâmica. É uma das atrações mais incríveis de Valência. Um deslumbre. A fachada barroca, toda esculpida em mármore alabastrino, é uma obra de arte sem igual.

Continuamos a caminhar. O mapa indicava-nos o caminho em direção à Estació del NordMas antes de lá chegarmosa cidade tinha mais um presente para nós, a Plaza del Ayuntamiento. Uma praça moderna e movimentada, cercada por lojas, cafés e hotéis. Centro financeiro da cidade, é lá que encontramos o edifício da Camara Municipal (Ayuntamiento). Um prédio moderno, mas monumental,  marcado por elementos valencianos, como a imagem do morcego, que é o símbolo da cidade. No seu interior, é indispensável a visita ao Salão de Cristal e subir o escadório em mármore que nos conduz a um balcão exterior que cobre o corpo central do piso principal. O dia estava quente, apesar de ser Outubro.

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Um pouco mais à frente (a 200 m da Plaza del Ayuntamiento) a Estació del Nord e Plaza de toros. Uma bem ao lado da outra. O edifício da Estação é uma obra interessante. Inaugurada em 1917, apresenta elementos comuns a outros monumentos e edifícios da cidade. A sua fachada tem elementos góticos e referências simbólicas à cidade, como o morcego que se ergue bem alto na fachada central, ou os motivos vegetais, florais e as laranjas que homenageiam a industria e agricultura valencianas.

No seu interior, o mosaico, a madeira, o vidro/ ladrilho e as cerâmicas com cores vivas. Lugar de entrada e saída da cidade, a Estació del Nord parece feita para garantir que quem chega e quem sai, leva sempre um pouco da cidade. A praça de touros é uma das mais antigas de Espanha (construída entre 1850 e 1859), e faz lembrar o coliseu romano, onde o arquiteto se inspiração. Apesar de não concordar com as touradas, não deixei de ficar rendida ao monumento. Vigoroso, sem dúvida. No exterior, uma estátua em memória de um dos maiores bandarilheiro valenciano que morreu numa das touradas.

O périplo ao centro histórico não fica completo se não visitarmos as Torres de Quart e Torres de Serranos, monumentos emblemáticos que formavam o que foi a muralha que rodeava a zona antiga da cidade. As Torres de Quart são torres gémeas, construídas no século XV. De estilo gótico tardio, foram consideradas um Monumento Nacional do Património espanhol, em 1931. As Torres de Serranos, estão situados no lado oposto às Torres de Quart, foram construídas no final do XIV, e consideradas a entrada principal da cidade. A imponência destas torres é impressionante. Olhar para elas é viajar no tempo e compreender a resistência de uma cidade. Sabiam que as torres cilíndricas eram consideradas as mais convenientes por resistirem melhor às mudanças no uso de artilharia? Estávamos no século XV.

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Torres de Serranos

Das muralhas de Valências restam apenas resquícios espalhados pela cidade. Além das torres, históricas, temos as Puertas de la Mar, que na realidade são um Monumento a los Caídos durante a Guerra Civil Espanhola (1946), mas que foram construídas sobre a antiga Puerta del Mar das muralhas de Valência.

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Puertas de la Mar ou Monumento a los Caídos durante a Guerra Civil Espanhola (1946)

Passear pela zona histórica de Valência implica visitar os dois principais mercados. O Mercado Central e o Mercado de Colón. Bem diferentes, é verdade, mas cada um com os seus encantos.

Mercado Central é uma das principais obras do Art Nouveau valenciano. Quem entra é surpreendido com as cúpulas que deixam entrar muita luz colorida, como são os vitrais que a ornamentam. É um dos maiores mercados da Europa. Vende-se todo o tipo de alimentos (carne e enchidos, peixe e marisco, legumes e frutas, padaria, especiarias) entre os 300 comerciantes que ocupam as bancas. A mistura de aromas e cores torna a visita numa experiência para os sentidos. Merece várias visitas!

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Mercado Central, Praza Ciudade de Brujas, S/N
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Mercado de Colón é considerado uma jóia da arquitetura moderna. Atualmente é um espaço renovado de lazer, com restaurantes, bares e cervejarias, gelatarias, mercado gourmet e barraquinhas de artesanato e produtos regionais. Aqui, o descanso teve sabor a sangria.

A zona histórica é feita de tudo isto. As ruas são medievais, estreitas e cheias de história… de velhas e novas histórias,  que dão cor ao ocre medieval, mas que nunca lhe tiram a identidade.

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Mas Valência é muito mais do que a ciutat vella.

2. percorrer o jardín de Turia

Percorrer um jardim com nome de Rio – Jardín de Turia – que  é um parque que se espreguiça por cerca de nove quilómetros, construído onde era o rio Túria, que foi desviado para fora da cidade em 1957, devido às grandes enchentes, é uma experiência extraordinária. Um jardim que, como numa passerelle onde desfilamos vaidosos/as, cruza toda a cidade, desde o Bioparc (que não tivemos ocasião de visitar) até à Cidade das Artes e das Ciências. No fim, apresenta-nos o mar.

Jardín de Turia é, hoje, o maior jardim urbano da Espanha. Um Gulliver em terras de Lilliput. Kilómetros de jardins e parques onde as famílias passeiam, os casais namoram, os amigos encontram-se e divertem-se, e pessoas sozinhas deitam-se na relva a ler ou a apanhar sol. Ao longo desses kilómetros, foram construídos playgrounds, polidesportivos, campos para desportos diversos, pistas e circuitos para bicicletas e para runners. As pontes continuam lá para dar ainda mais charme, desde as mais antigas às mais modernas.

3. Visitar e perder-se na Cidade das Artes e das Ciências

Ao pecorrer o Jardín de Turia, encontramos Cidade das Artes e das Ciências e não podemos esconder o fascínio que sentimos quando entramos no seu complexo arquitetónico, feito de construções peculiares de desenho singular, pensadas ao pormenor por Santiago Calatrava e Félix Candela. O complexo começou a ser construído em 1991 e tinha como grande objetivo promover o conhecimento das ciências, da natureza e das artes. Está instalado na antiga foz do rio Túria, entre o centro da cidade e o porto. É memorável. Vidro, aço, cerâmica branca e azul, enormes espelhos de água, recriam uma cidade do futuro.

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A cidade das Artes e das Ciências é uma visita obrigatória. Reserve um dia inteiro. Pode parecer muito tempo, mas não é. O seu complexo compreende o Museo de las Ciencias, com três andares de um museu de ciência interativo. O Hemisfèricum olho gigante, com uma grande sala de projeções num ecrã de 900 m2.  Escolhemos uma das últimas sessões e fomos ver o filme America Wild: National Parks Adventure. Que experiência fantástica. Queria Santiago Calatrava que este espaço simbolizasse a observação do mundo. Conseguiu! Umbracle que é um jardim de plantas aromáticas, com 17 500 m2, coberto por uma fabulosa arcada. O L’Àgorauma enorme praça coberta destinada a eventos, que na altura da visita estava em obras. O Oceanogràfic que conta com 500 espécies marítimas divididas em ambientes distintos no planeta. E o Palau de les Arts que é destinado a congressos e a espetáculos como ópera e bailado.

Claro que tem sempre a opção de apenas passear pelos seus jardins, uma vez que a entrada nos espaço não fica barata, mas vale bem a pena a visita e o tempo despendido. Aproveitamos os jardins para almoçar e descansar. Era Outubro, mas o tempo estava quente, e o sol convidava a permanências na sombra.

Memorável e inesquecível, são as palavras que definem esta visita.

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4. Aproveitar as praias

Estava quente. O dia pedia passeio à beira mar. Apanhamos o metro e rumamos até ao litoral, à tão falada praia de Malva-rosa. Uma praia com uma luz imensa, uma grande extensão de areal, servida de um complexo de bares e restaurantes que nos mostram que no verão a palavra de ordem é animação. Dali caminhamos pela Marina de Valência. Uma outra paisagem, mais moderna, onde a criatividade, a cultura e o empreendedorismo se expressam através da náutica e do desporto.

Valência será certamente para regressar. Afinal, nela, encontramos um pouco de tudo aquilo que gostamos numa cidade.


Detalhes
Visita realizada em outubro de 2017
Marcelo Andrade @iremviagem
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Comentários

  • Manuela Duarte
    5 de Abril, 2018

    Adorei viajar por aí convosco. O tempo que permaneci em Valência não deu para ver quase nada.

    Responder
    • 7 de Abril, 2018

      Que bom!!! Que continues a viajar connosco… prometemos uma viagem pela escrita e pela fotografia.

      Responder
  • Vanessa
    7 de Abril, 2018

    Magnifique encore. Profitez bien, les photos sont ouf.

    Responder
    • 7 de Abril, 2018

      Merci Vanessa…ça nous fait telement plaisir..il faut continuer a voyager avec nous…

      Responder

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