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Prometemos voltar: crónica sobre a Ilha de São Miguel, nos Açores

Prometemos voltar!

Começamos esta crónica pelo fim, porque é para lá que ela nos vai levar. Dás a volta a ilha, vais aos pontos turísticos (aqueles que o mau tempo nos deixou ver), e regressas com a sensação de que tanto ficou por ver. Por isso, prometemos voltar, para rever o que vimos, ver o que não vimos, recriar o que vivemos e prolongarmo-nos, com tempo, no que a falta de tempo não nos permitiu sentir.

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Vila Franca do Campo

Nas suas 50 shadows of green, a ilha de São Miguel é atrevida e sensual. Em cada curva faz-nos suster a respiração e em cada recanto suspirar. A natureza no expoente da perfeição. É o que sentimos quando percorremos as Lagoas (Empadadas, das Sete Cidades, das Furnas, do Fogo). É o que experienciámos quando furamos a vegetação mais densa da Ribeira dos Caldeirões ou passeamos nos jardins botânicos, como o do Parque de Terra Nostra ou a Mata Jardim José do Canto nas Furnas, que são verdadeiras criações de amor. É o que se revela quando passamos pelos Miradouros, todos eles, cada um à sua maneira, com vistas únicas e com os seus parques de merendas impecavelmente arquitetados. Um destaque para a Ponta do Sossego que ficou bem juntinho ao nosso coração.

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Parque Terra Nostra, Furnas
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Miradouro Ponta do Sossego

De freguesia em freguesia, o passeio faz-se por uma espécie de pequenos presépios, culturalmente emoldurados. Os espaços públicos parecem jardins privados e as bermas da estrada parecem canteiros tratados. Até os rails na estrada estão revestidos a madeira para não destoarem da paisagem. Em cada recorte, vacas confortavelmente acomodadas. Dizem que é a terra das vacas felizes.

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Pela origem vulcânica, que se expressa nas formações geológicas da ilha, São Miguel mostra a sua impetuosidade e expele a sua fogosidade. Diria até que ferve em pouca água, literalmente :-). Das fumarolas das Furnas às águas termais (do Parque Terra Nostra, da Poça da Dona Beija ou da Caldeira Velha), passando pelas caldeiras aquecidas por magma vulcânico que formam jacuzzis e piscinas naturais, como na Ponta da Ferraria, a ilha mostra ter “pêlo na venta”. A cor castanha das águas termais, por serem ricas em ferro, o vapor e cheiro a enxofre que dominam o ambiente de algumas localidade e a água a borbulhar da terra pintam uma paisagem invulgar. Não há como não provar a água que brota das fontes, naturalmente gaseificada, horrível de sabor. Reza a história que cura a ressaca, pudera!! 🙂

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Caldeiras das Furnas
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Piscina de águas termais no Parque Terra Nostra, Furnas
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Caldeira Velha, Ribeira Grande

Na pronúncia do seu povo (sotaque micaelense), a ilha de São Miguel conta a história da influências portuguesas (do sul do país) e francesas no povoamento da ilha. Um verdadeiro património. Falar com as pessoas locais é imperativo. Nem sempre é fácil compreender, mas a experiência é singular. Para as outras ilhas, eles são os “japoneses”, não há quem os entende 🙂 É o “u” que vira “ü”. Nos ditongos oi, ou e ei, omite-se a última vogal. O “e” que passa a ser “a”. O “você” que é substituído pelo “senhor/a”. Pelas suas gentes conhecemos o menos turístico, ouvimos as histórias de outros tempos e percebemos que o que são cenários idílicos para o/a turista são também preocupações, com histórias de perda, para a sua população. A Erupção dos Capelinhos, no Faial, no final da década de 50. O terramoto nas ilhas Terceira, São Jorge e Graciosa, em 1980, as crises sísmicas, os furacões, as inundações e os deslizamentos de terras. O arquipélago dos Açores tem uma grande atividade sísmica de natureza tectónica a que se junta ter ilhas vulcanicamente ativas, como é o caso de São Miguel, que tem três vulcões ativos – Sete Cidades, Furnas e Fogo.

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Arte urbana. Vhils, 2011, Arco 8 – Bar Galeria, Ponta delgada

Através das Portas da Cidade, em Ponta Delgada, a ilha de São Miguel convida-nos a entrar e a visitar. A partir daqui, constroem-se séculos de história, que se dispersa pela ilha, que se entalha nas paredes dos monumentos e se reescreve sempre que alguém anda pelas suas ruas, ruelas e trilhos. Uma história que se reescreve, também, pelo poder da Arte Urbana que ganhou o seu espaço em toda a ilha.

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Ponta Delgada
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Vihls, Torreão – Canada Mata Mulheres, Fajã de Baixo, Ponta Delgada.

Prometemos voltar!

Porque nos apaixonamos pelo lugar que junta terra, mar, lagos, montanhas, crateras, vulcões, vegetação… e muitas estórias! Os dias acordaram chuvosos, mas terminaram sempre maravilhosos.

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Lagoa Verde das Sete Cidades

 

link-symbol_icon-icons.com_56927 Ver também:

Ilha Terceira: que chove chove, mas ninguém lhe fica indiferente
Angra do Heroísmo: uma janela do mundo


simbolo-interface-de-calendario_318-58183 Visita realizada em maio de 2019
camera-photo_318-72639 Fotografia de Marcelo Andrade @iremviagem
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