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Ilha do Príncipe: ser pequeno é lindo

A Ilha do Príncipe gasta-nos os adjetivos (e o dinheiro).
Classificada como Reserva da Biosfera em 2012, pela UNESCO, a Ilha do Principe tem sido indicada como um dos últimos paraísos escondidos do mundo, que tem resistido ao turismo massificado e investido na promoção turística economicamente sustentável e de baixo impacto ambiental. É todo este esforço (que esperamos que seja duradouro) que nos permite ainda encontrar praias como esta” (Memórias da nossa viagem)

Este texto é a expressão adjetivada da nossa experiência pela Ilha do Príncipe, que nos arrebatou como um amor à primeira vista. Por isso, para que a leitura deste post fique mais completa e informativa, deve ler também o que escrevemos sobre “São Tomé e Príncipe: um guia de viagem”.

1.º DIA | Chegamos à ilha da ilha

Saímos do aeroporto de São Tomé às 9h da manhã. Basta pouco mais de 30 minutos para chegares ao paraíso. Quando a porta do avião se abre dás de caras com um aeroporto ainda mais pequeno do que o de São Tomé, afinal chegaste à ilha da ilha, chegaste a Príncipe.

Existe um voo diário da STP Airways entre a Ilha de São Tomé e a Ilha do Príncipe

O transfer da Residencial Apresentação, onde ficamos alojados, foi-nos buscar ao aeroporto. Esta Residencial, onde ficamos duas noites, fica na cidade de Santo António. O espaço está muito bem localizado, os quartos são simples, mas bastante limpos, e oferece-nos um bom pequeno almoço à varanda.

Na Ilha do Príncipe, não há muita variedade de alojamento e a escolha dependerá muito da carteira de cada um/a. O preço vai aumentando à medida que nos afastamos da cidade e nos embrenhamos na Natureza. A vida em Príncipe é cara, uma insularidade que se paga a vários níveis. Não só no preço do alojamento, do combustível e dos produtos, mas também no facto de haver pouca energia elétrica. Vá preparado/a para esta realidade (sobre alojamento, ver dicas úteis no fim do post).

Que comece, então, a aventura por Príncipe!

Como chegamos cedo, aproveitamos o princípio da tarde para passear e conhecer a Cidade de Santo António, que é a capital de Príncipe. Tem pouco mais de 1100 habitantes e é carinhosamente conhecida como a cidade mais pequena do mundo. A verdade é que, vindo de São Tomé, vamos considerar esta cidade muito mais organizada e limpa. Passeamos pelas ruas, que são decoradas de edifícios de arquitetura colonial, fomos ao mercado, que é tão pequeno quanto a cidade, e visitamos as lojas de artesanato, como a “Mambos da Terra” que é um projeto familiar cheio de energia. A fome começou a apertar e, seguindo as recomendações das gentes da terra, fomos almoçar a comida caseira da D. TeLé. No final, e porque o calor pedia, descansamos no jardim da praça, lá onde a “árvore do viajante” finca pé.

A tarde ainda era “menina e moça” e, por isso, à boleia dos motoqueiros José António e Derito decidimos rumar à Praia do Bom Bom, que empresta o nome ao Resort que todos os dias acorda abençoado pelo mar cristalino, pela areia dourada do sol e pela floresta tropical. Não ficamos no resort Bom Bom, mas aproveitamos o bem bom que ele oferece. Duas praias fantásticas, quase desertas, com águas quentes e cristalinas.

Entramos e ficámos (apaixonados). O espaço do resort tem todas as comodidades, mesmo para quem não está hospedado. Passeamos pelo espaço, fizemos praia, mergulhamos nas águas transparentes a 27 graus, atravessamos a ponte de madeira com 140 metros que nos faz suspirar e prometer voltar, e assistimos ao por-do-sol acompanhados por uma Rosema a estalar, no co(r)po e na alma.

À noite, o jantar foi na Associação Cultural e Restaurante Rosa Pão, em Santo António. Um dos restaurantes recomendados, a par do Restaurante Juditinha. Chegamos à hora marcada e tínhamos uma mesa preparada para nós no alpendre. Um serão romântico, com direito a uma brisa fresca que só a época da gravana permite. O menu estava escolhido e a barriga não reclamou. Banana frita com gengibre tostado, moqueca de peixe e farinha de mandioca, peixe vermelho com ervas aromáticas, bolinhos de mandioca, feijão e óleo de palma, frango à passarinha e muita fruta da época.

2.ºDIA | Bôn dia ô!
(Assim se canta “bom dia” em Lung’ié)

Começou um novo dia e uma nova aventura. Edmilson Spencer, o nosso guia por um dia, levou-nos a conhecer a Ilha. _”Vão ter direito a serviço com massagem incluída”, dizia-nos Spencer a rir, referindo-se à condição das estradas (sobre como se deslocar na ilha, ver dicas úteis no fim do post).

Começamos o nosso tour pelas Roças. Há pelo menos três que merecem a nossa visita: a Roça Paciência, a Roça Sundy e a Roça Belo Monte. Edifícios coloniais que o Governo não consegue recuperar e concessiona a quem tem possibilidade de os salvar.

Roça Belo Monte

A Roça Paciência é de pequena dimensão e conserva um ambiente familiar. Tem uma estrutura de «roça-terreiro», com geometria quadrada e, do ponto de vista arquitectónico, apresenta uma traça humilde. A Roça Paciência cheira às ervas aromáticas dos seus campos de cultivo, ao aroma da secagem do cacau e café e aos sabonetes que produz e que decoram os hotéis da região.

A Roça Sundy, que se tornou parte da história por ter sido o local onde foi comprovada a Teoria Geral da Relatividade de Albert Einstein, por Sir Arthur Eddington, em 1919, continua a ser recuperada e com novos planos de expansão.

Por fim, a Roça Belo Monte que é hoje um boutique hotel gerido por um grupo Holandês. És recebido/a com música clássica, num espaço que mantém parte do mobiliário original da época da colonização. Cá fora, os hóspedes lêem, no silêncio de uma varanda com vista privilegiada sobre a floresta equatorial. Entraste num filme de época e nem te apercebes. Num dos edifícios, uma Exposição sobre Príncipe, chamada “Forever Principe!“. Perdemo-nos por lá.

Daqui seguimos para um dos principais miradouros da Ilha, o Miradouro da Praia Banana, que nos oferece uma vista fantástica sobre uma das praias mais famosas da Ilha do Príncipe, a Praia Banana. Cá em baixo, ela faz jus à beleza que lhe atribuem. Um mergulho foi inevitável.

Mais à frente, adentrando a floresta frondosa de Príncipe, surge a Praia Boi. Para lá chegar precisamos de fazer uma caminhada a pé e é por entre as frestas da floresta que ela aparece, imponente.

Admito que me emocionei quando chegamos à Praia Boi. Como descrever tamanha beleza! Corremos para o mar, beijamos a água e abraçamos a areia. Aqueles lugares em que nos fundimos na natureza e percebemos que somos parte dela. A emoção foi de gratidão. Sem pegada, nem pegadas, fizemos a melhor das fotossínteses” (Memórias da nossa viagem)

Difícil foi vir embora desta praia que nos apaixonou, mas ainda tínhamos mais uma visita importante para fazer. O miradouro do Terreiro Velho é a Roça onde é produzido o chocolate de Claudio Corallo (uma referência de São Tomé e Príncipe) e de onde se tem umas das vistas mais bonitas da ilha. Daqui avistamos o Boné do Jóquei, um ilhéu ao largo que tem o formato do nome, e a cascata Oquêpipi, uma queda de água que tem mais de setenta metros de altura. Lá em cima o silêncio impera e, depois de passares a cancela de madeira da Roça do Terreiro Velho, tudo o que vês é verde e mar.

Cacaus felizes dão chocolates deliciosos” (Memórias da nossa viagem)

De regresso a Santo António, acabamos o dia nas barraquinhas de comes e bebes das Festas de São Lourenço. Se viajarem em Agosto, como nós, vão encontrar uma ilha em festa. Madrugada alta até noite dentro.

3.º DIA | Uma ilha cheia de segredos

Só tínhamos mais uma manhã e decidimos acordar bem cedo para ir passear pela ilha, com horas, mas sem rumo! Em cima das motas de José António e Derito, cheios da arte de contar histórias, fomos descobrir outros segredos e riquezas da ilha.

Furamos a floresta, falamos com as pessoas da terra, demos um último mergulho na praia Bom Bom e até entramos de “penetras” na Sundy Praia Lodge. Valeu-nos os contactos do Derito que já lá tinha trabalhado. Paramos em Ribeira Izé, o local por onde a Ilha do Príncipe foi descoberta, e visitamos a igreja, hoje em ruínas e engolida pela floresta. Aquele momento em que percebes que não há livro de história que bata a experiência vivida dos lugares.

O nosso tempo de estadia não nos permitiu fazer um trilho no Parque Natural do Príncipe, um dos segredos mais bem guardados desta Ilha (sobre os trilhos no Parque Natural de Príncipe, ver dicas úteis no fim do post). Ficará para uma próxima visita porque acreditamos que o melhor tributo que podemos fazer a esta(s) ilha(s) é continuar a visitá-la(s). Não na lógica do turismo massificado, mas de um turismo sustentável que salvaguarde o ambiente e os recursos naturais. Neste campo, a Ilha do Príncipe tem sido exemplo, como nos explicava Estrela Matilde, coordenadora da Fundação Príncipe Trust, com quem conversamos, ainda em Portugal, antes de viajarmos. Príncipe é uma reserva única da biosfera.

Bomu kêlê!
(significa vamos acreditar)

A terra do “leve-leve” é mesmo assim, cheia de intensidades e curvas, um equador que de linha só se for a imaginária. Despedimo-nos com um até já, porque nunca se diz adeus ao que nos ficou no coração.

Dicas úteis:

>> Sobre alojamento. Há três residenciais dentro da cidade de Santo António, com preços médios, por noite, de 70€. Fora da cidade, temos o Hotel Bom Bom Príncipe, o Hotel Roça Sundy e Sundy Praia Lodge, do Grupo Here Be Dragons (HBD), e a Roça Belo Monte Hotel, gerida por um Grupo Holandês. Todos eles com preços médios por noite superiores a 240€, podendo chegar aos 1000€/ noite [não estamos a falar de preços dentro de pacotes turísticos e esta informação reporta-se à data da viagem].

>> Sobre como se deslocar na ilha. Podem alugar um carro (com ou sem guia), alugar uma mota (com ou sem condutor) ou andar à boleia, que é uma prática muito comum, principalmente em Príncipe, onde os transportes público escasseiam. Nós fizemos a reserva, ainda em Portugal, de um guia credenciado, com carro, para um tour de um dia. É uma boa opção, mas cara (pagamos 135€ por um dia). Localmente, fizemos o uso do serviço de moto-taxi, que é muito prático e seguro q.b. Se precisarem dos contactos mandem-nos mensagem privada.

>> Sobre trilhos no Parque Natural de Príncipe. Este Parque compõe o Parque Nacional de Ôbo que foi criado em 2006 com a finalidade de proteger a riquíssima biodiversidade existente no país. O Parque Nacional de Príncipe formou uma equipa de guias credenciados de eco-turismo habilitados a acompanhar os/as turistas em vários trilhos pedestres espalhados pela ilha. Por isso, se pretender fazer um trilho terá de entrar em contacto com o Parque para a marcação dos detalhes da viagem e afetação do respetivo guia.


Detalhes
Agosto de 2019
Marcelo Andrade @iremviagem
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