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Aldeia de Pontes: uma ponte para a tranquilidade em Castro Laboreiro

A Aldeia de Pontes é um WOW gigante.

A 10 minutos de carro de Castro Laboreiro e localizada em pleno Parque Nacional da Peneda-Gerês, Pontes é uma tradicional inverneira que esteve desabitada por mais de 15 anos. Quando lá chegas ficas com a sensação que a qualquer momento um gnomo vai passar por ti, atarefado e trapalhão, reclamando a aldeia para si. Afinal (já) não há assim tantos esconderijos como este… onde a rede custa a chegar. O que mais nos fascinou no projeto da Aldeia de Pontes é o elogio que faz à cultura local. E aí temos de concordar com o gnomo! Não se trata apenas de recuperar casas, mas de contar a vida (dura) do povo castrejo que andava com a “casa às costas” (transumância) entre brandas e inverneiras, em busca da melhor pastagem para o gado e para fugir das temperaturas mais rigorosas. De conservar o património construído (moinhos e fornos comunitários, aquedutos, a casa típica, o traje, os utensílios e o dialeto castrejo). De recuperar a agricultura tradicional, a apicultura e a criação de vacas de raça cachena. De manter o legado da D. Aurora, hoje com mais de 90 anos, que passou tudo o que sabia sobre a flora autóctone ao seu filho Manuel, que hoje nos ensina os diferentes tipos de urze, carqueja, queiroga ou carvalhal, e que nos diz, de sorriso rasgado, “morar aqui é como ser um melro, às vezes passam frio, outras vezes calor, mas andam livres e felizes”. O melro de água é o símbolo da Aldeia de Pontes.

Sobre a imersão na Aldeia e na natureza, vão ter de esperar pela boa disposição do gnomo, que já nos segredou que vamos ter de calçar as botas porque os tesouros não se encontram fácil.

o PROJETO da aldeia de pontes

A Aldeia de Pontes é uma inverneira que ganhou nova vida, há cerca de três anos, pelas mãos do Sr. Manuel Rodrigues e da D. Sara Domingues, um casal que nos recebe com sotaque castrejo e a energia de gente rija que faz da enxada o orgulho das origens.

Este projeto familiar da Aldeia de Pontes é um encontro feliz entre um sonho sonhado e a magia de um lugar.

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Com seis casas reconstruídas pelo Sr. Manuel, e a avançar para a sétima, a aldeia suspira a alegria de voltar a ver gente. As casas, essas, têm os nomes da terra e contam a história da cultura castreja. A Casa da Eira retrata o lado comunitário da aldeia, o local onde as famílias se juntavam a fazer as medas de centeio que eram levadas para o moinho e, depois, para o forno comunitário de onde saía o pão de centeio, típico da região. A Casa do Lume é um elogio à típica casa castreja. As casas maiores tinham uma parte central onde se acendia o lume. A Casa da Corga tem o nome que o povo dá aos ribeiros, igual ao que atravessa a aldeia e lhe dá uma beleza diferente. A Casa da Forja abraça as memórias do local onde o pai do Sr. Manuel trabalhava forjando ferro. A Casa da Figueira, essa, é especial! Não pela figueira que a decora, mas por ser a casa onde o Sr. Manuel nasceu. Nós ficamos alojados na Casa do Eido, que significa “o nosso lugar” em castrejo. Não podíamos ter escolhido melhor porque foi assim que nos sentimos, em casa. Do terraço da Casa do Eido, bem virado para a serra da Peneda, vemos a sétima casa a ganhar forma. Dizem-nos que vai ser a Casa da Plica, palavra que designa forasteiro. Não deu para perceber como vai ficar, mas o projeto é uma promessa feliz.

 

O QUE É | Turismo rural
ONDE FICA |  Pontes – Castro Laboreiro, 4960 Melgaço
O QUE INCLUI | A Aldeia de Pontes dispõe de 6 casas, tipologia T1 a T3, totalmente equipadas (ver aqui mais informações). No interior, as casas dispõem de cama(s) de casal, sofá-cama, WC privativo com muda de toalhas, cozinha equipada, lareira e lenha para a estadia. No exterior, todas as casas têm churrasqueira exclusiva e espaço de convívio. Admitem animais de companhia que vivam diariamente em casa com os donos.
O QUE NÃO INCLUI | Pequeno almoço (e outras refeições). As casas não têm Wi-Fi e a zona tem pouca rede de telemóvel.
E O PREÇO | A partir 65€/ noite, dependendo da tipologia da casa, com reserva obrigatória de 2 noites.
É PRECISO LEVAR ALGUMA COISA? | Sim, para as refeições. Não existem supermercados ou mercearias na aldeia, as mais próximas ficam em Castro Laboreiro, a cerca 4 quilómetros.

CONTACTOS 
E-mail: aldeiadepontes@gmail.com
Telemóvel: +351 939 508 465
Facebook | Instagram | Site

A Aldeia de Pontes é um programa gourmet para quem gosta de natureza, caminhadas, lagoas, cascatas e cultura local.

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sem sair da aldeia, o que (PODE) fazer

Churrascos ao final da tarde – todas as casas dispõem de zona privada de churrasqueira, mesa e cadeiras.

Ter sossego absoluto – é garantido acordar apenas a ouvir o barulho dos pássaros ou os chocalhos das vacas. A Aldeia de Pontes é um “modo voo” para quem quer descansar e (re)conectar-se.

Tardes no rio e mergulhos em cascatas – a menos de um quilómetro da Aldeia de Pontes somos brindados com uma cascata que ganhava bem um qualquer prémio de fotogenia. Não sei o que as cascatas têm, apenas que têm o dom de nos fascinar e conectar com a natureza. Mereciam ter nomes próprios e fortes, como as tempestades e os furacões, porque são forças da natureza, a expressão da liberdade das margens comprimidas. Não haveria melhor sequência mágica (que nos tire de qualquer aperto) se inventassem um Crl+Alt+Cascata. A Cascata de Pontes integra um pequeno trilho que sai da aldeia, e que tem cerca de 1.8 quilómetros (ida e volta). Este pequeno trilho pode juntar-se a um outro, com 2 quilómetros, que também se inicia na aldeia, acompanha o rio Laboreiro, passando pelo poço do Moinho e pelo poço do Contador, que convidam a mergulhos demorados, e pelo aqueduto de Pontes. Ambos são de fácil acesso… não há desculpas!

Cascata de Pontes

Ter contacto com a natureza – A Aldeia de Pontes é um programa gourmet para quem gosta de se perder na natureza, fazer caminhadas, mergulhar em lagoas e cascatas, ou conhecer a fauna e flora autóctones. Na aldeia são criadas vacas de raça cachena, ao ar livre e, nas montanhas circundantes pode ser avistada a cabra-montês. Dizem que até a águia-real voltou a estas bandas. A natureza no seu estado mais puro.

Património construído – A aldeia expressa-se, também, no património edificado que os antepassados deixaram. Não podemos esquecer que Pontes é uma inverneira (núcleo habitacional temporário que era habitado apenas durante o inverno, onde o frio não era tão intenso, e que se insere no processo de transumância em que as populações se deslocam das suas habitações de verão (brandas) para os vales ou outras zonas mais baixas da serra), por isso, vamos encontrar a casa castreja típica das inverneiras, o moinho e forno comunitários e um aqueduto que foi construído na década de 40 do século XX, importante para a rega dos campos agrícolas.

Acesso a atividades radicais – A Aldeia de Pontes tem uma parceria com a Montes de Laboreiro, que é uma empresa de animação turística, que oferece atividades radicais, para todas as idades, como canyoning (caminhada aquática), slide, arvorismo, trilhos ou passeios de jipe.

caminhadas de natureza

Da Aldeia de Pontes saem vários trilhos, com vários graus de dificuldade. Trilhos circulares e mais pequenos, à volta da aldeia, como os que falamos em cima. Trilhos maiores, como a Grande Rota do Parque Nacional da Peneda-Gerês (GR50), o Trilho Castrejo (20 km) ou o Trilho das Fechas do Malho (14 km).

Entre trilhos, foi o que nós fizemos.

Com uma extensão de 7,5 Km, temos o trilho que liga a Aldeia de Pontes à Vila de Castro Laboreiro. É um trilho relativamente fácil e uma combinação perfeita de coisas boas. É a primeira etapa da GR50, é uma parte do Trilho Castrejo, e os seus dois primeiros quilómetros constituem o Trilho da Ponte da Cava da Velha. E que Ponte! À saída da aldeia, passamos pelo aqueduto de Pontes e por calçadas seculares, cruzamos com majestosas carvalheiras vestidas de veludo e muros de musgo fofinho que mais parecem camas para descansar. Na primeira parte do trilho, o rio Laboreiro é a melhor das companhias. Ai se estivesse calor, não lhe resistiamos!! Descobrimos pontes, inverneiras e lagoas. A carqueja e a urze pincelam a paisagem de verde e rosa e as vacas da raça cachena dão cor e vida ao trilho. O cão de castro laboreiro avisa que estás a chegar à vila… e lá, tens outro tanto para conhecer. Mas essa é outra história!

Ponte da Cava da Velha

O outro trilho que fizemos foi o da Cabra-Montês. Da Aldeia de Pontes sai este trilho (que tem cerca de 8 km ida e volta) que nos permite avistar a cabra-montês no seu habitat natural. Não é o trilho do musgo fofinho, mas a imponência da Peneda na sua aridez, que ainda nos brinda com formações rochosas únicas como o Bico do Patelo. É um trilho que mexe com as nossas entranhas porque nos devolve as origens. Alguém dizia, “a natureza cria, nós apreciamos”, e é assim que deve ser. 

Vista para o Bico do Patelo, em plena Serra da Peneda

Avistar a cabra-montês não é difícil, mas é preciso que ela queira e que o vento esteja favorável. Tivemos sorte. Vimos dois rebanhos diferentes com cerca de 20 cabras cada. Muitas fêmeas, poucos machos adultos e alguns machos jovens. Empoleiradas no topo das rochas graníticas, em malabarismos de circo, pararam a olhar para nós. Estes momentos são sempre comoventes. E nós acenamos-lhe com a cabeça agradecendo pelo regresso.

A cabra-montês esteve extinta em Portugal nos finais do século XIX, provavelmente devido à caça excessiva. A história do seu regresso recente (1999) conta que algumas cabras escaparam acidentalmente dos cercados espanhóis e vieram reconstituir, na zona transfronteiriça, o núcleo da espécie em território português, que já conta com cerca de 450 exemplares. O lobo ibérico agradece, mas não tem a vida facilitada. Não fossem elas alpinistas exímias.

cultura e tradição castreja

Castro Laboreiro é cultura e tradição que estão expressas, inevitavelmente, no dialeto castrejo, no traje da mulher castreja e na casa típica.
“_Ó Maria, que chambra tam bonita tés! Que pimpona”, diz a D. Sara à vizinha que passa. E continua: “_Uje fui a custoreira mandar fazer um mandil”. Enquanto nos traduz o dialeto castrejo, de um arcaico galaico-português, a D. Sara explica-nos o traje da mulher castreja que é, ele próprio, cultura e tradição.

A mulher castreja veste trajes simples e escuros. Saia, blusa (chambra) e avental (mandil) pretos, capa de burel grosso à cabeça por cima do lenço (paneleta) preso com um nó no topo. Nas pernas, uns calções brancos, feitos de lã grossa de ovelha apertadas com cordões, que as protegia do frio e do mato e, nos pés, calçava “soques” de couro preto com cravos. O preto ficava ainda mais preto quando os maridos emigravam. As “viúvas de homem vivo”, como alguém lhes chamou. Agarradas ao cajado, de cesto no braço com a merenda, e na companhia do seu cão (de castro laboreiro), dedicavam-se à pastorícia e à agricultura. A pogureira (mulher que vai com o gado para o monte), antes de sair, dizia:

“_Ó comadre uje tocame a rês (guardar o rebanho), você puderá me quedar cua minha rapaza (filha/ miúda)?

A vida da mulher castreja era tão dura quanto o preto que vestia, mas o que mais me fascinou é que por debaixo daquele preto, a mulher castreja usava um saiote vermelho debruado a cores garridas. Há sempre tanto de insubmissão na tradição… mesmo quando não parece! Nesse vermelho, a mulher castreja fica, de facto, muito pimpona (bonita)!

Quanto à casa típica castreja, ela resume a marca do equilíbrio entre o homem e a natureza. É simples nos materiais que utiliza e na estrutura que tem, para se integrar harmoniosamente na paisagem. Por isso, era construída com o granito arrancado das rochas, a madeira que crescia nas matas, a palha do centeio que era produzido e as urzes que cresciam na serra. A estrutura primitiva da casa castreja era de linha direita e forma rectangular, composta por dois pisos. O piso de cima era destinado ao abrigo da família (cozinha e quarto, nem sempre separados), e o piso de baixo à corte dos animais. Eram casas frias e sem comodidades, onde as pedras se encaixavam nuas, aquecidas apenas pelo calor do lume da fogueira que se fazia dentro de casa. O acesso à casa fazia-se por uma escada perpendicular à parede fronteira e o acesso ao seu interior por uma porta única que levava um “fetcho” de lado. Na Aldeia de Pontes ainda é possível ver estas estruturas mais primitivas da casa castreja.

a partir da aldeia: locais a visitar de carro

A vila de Casto Laboreiro é visita obrigatória e fica a cerca de 4 km de distância da Aldeia de Pontes.

Dizem que a cultura castreja se desenvolveu no século VI a.C, por isso, a região tem um património pré-histórico e arquitetónico riquíssimo. Já falamos aqui dos trilhos, e pode visitar a vila ao fazer um desses trilhos a partir da Aldeia de Pontes, mas pode ir de carro até à vila e começar a sua visita aí. Passeie pelo centro da vila, fale com as pessoas e visite o núcleo museológico para conhecer um pouco mais da cultura castreja. Passe pelas pontes romanas e medievais e pelos inúmeros moinhos, que são um traço característico da região, e seja um pouco Dom Quixote! Visite o canil da raça do cão de castro laboreiro, que tem procurado valorizar e proteger esta raça “nascida e criada” na região. Para os/as interessados/as, há vários trilhos que partem do centro da vila.

Castro Laboreiro é reconhecida pela sua rica gastronomia (o fumeiro, a broa típica de centeio, o cabrito, o bacalhau com broa, as sobremesas com mel puro e o vinho Alvarinho de Melgaço), por isso, coma e beba bem porque vai precisar de energia para subir os 800 metros que o/a levarão ao Castelo. Fizemo-lo de uma assentada, mas ver o pôr-do-sol, bem lá do alto, merecia esse esforço. Não é todos os dias que tens um Castelo para dois! O Castelo de Castro Laboreiro não é do estilo “conto de fadas”, é um castelo austero, como é a sua história, mas cheio de misticismo e personalidade, como é a região. Lá do alto dos seus 1033 metros, o som do silêncio desperta-nos a atenção para a imponência da paisagem e, num suspiro profundo, murmuramos: está tudo aqui!

Castelo de Castro Laboreiro

Outros locais a não perder:

Santuário de Nossa Senhora da Peneda (a 21 km)

Espigueiros do Soajo (a 46 km)

Porta de Lamas de Mouro do Parque Nacional Peneda-Gerês (a 15 Km)

Melgaço (a 30 km)

Lindoso (a 20km)

Portela do Homem (45 km)

Termas de água quente de Lobios (a 16 km)

Esperamos que as nossas sugestões e imagens vos inspirem a ir e ajudem a preparar a viagem. Alguma dúvida ou questão, partilhem connosco. Escrevam nos comentários e nós responderemos brevemente.
E já sabem… o importante é IR!

Detalhes
março de 2021
Marcelo Andrade @iremviagem
Agradecimentos

Projeto de Turismo Rural da Aldeia de Pontes, nas pessoas do Sr. Manuel Rodrigues, a D. Sara Domingues e o Bruno Rodrigues

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Comentários

  • Nilceia Costa Aparecida de Nilceia Costa Aparecida de
    2 de Abril, 2021

    É possível viajar para Castro sozinha? Moro no Brasil é tenho muita vontade de conhecer o local.

    Responder
    • Vera Duarte
      18 de Abril, 2021

      Olá, claro que sim 🙂 É uma zona muito tranquila. Alguma dúvida disponha!

      Responder

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