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Mata Nacional do Buçaco: o que saber antes de visitar

Neste artigo pretendemos partilhar com vocês dez informações que consideramos que são importantes saber antes de visitar a Mata do Buçaco e poder aproveitar ao máximo a visita.

Se nos dissessem que Lewis Carroll se tinha inspirado na Mata Nacional do Buçaco para escrever  “As aventuras de Alice no País das Maravilhas” não estranharíamos! Até se aplicaria melhor a grafia Bussaco, como se escrevia antigamente, afinal, por lá, tudo é mistério, história, lendas e encantamento. Tem árvores notáveis, com ramos entrelaçados (re)vestidos a musgo, numa Floresta chamada Relíquia. Tem o silêncio que os monges Carmelitas Descalços lhe concederam e que um decreto papal no século XVII protegeu até hoje. Tem a majestade de um hotel que é um palácio, por dentro e por fora. Tem trilhos temáticos que nos levam por um bonito “passeio verde” onde as árvores tocam o céu. Como gostávamos de lá voltar à noite só para saber o que elas conversam. Passear por lá devolve-nos (o) tempo e isso devia ser razão suficiente para a transformar em Património Cultural pela UNESCO.

O segredo é deixarmo-nos encantar, pois as coisas bonitas e surpreendentes têm sempre um coelho branco de colete, não é?


A mata do Buçaco requer as palavras todas e estando ditas elas, mostra como ficou tudo por dizer.”

José Saramago
Onde fica?

Inserida na Serra do Buçaco, a Mata do Buçaco situa-se na freguesia do Luso, concelho da Mealhada, distrito de Aveiro, região da Bairrada.

O que devemos então saber antes de visitar a Mata do Buçaco?

1.

A Mata do Buçaco é vaidosa no que tem. Nos seus 105 hectares de extensão tem quatro unidades de paisagem que compõem o “passeio verde” que nos oferece: o Arboreto, os jardins e o Vale dos Fetos, o Pinhal do Marquês e a Floresta Relíquia, onde se pode encontrar as “árvores notáveis” e o adernal que é uma formação vegetal única dominada por adernos de grande porte.

2.

Como tem um muro a toda a volta, a entrada na Mata faz-se pelas várias portas que tem. Dez no total, entre portas abertas e fechadas, sendo que são apenas três as que permitem ir de carro (de mota ou autocarro) e estacionar perto do Convento e do Palace Hotel. Porta das Ameias, Porta de Serpa e Porta da Rainha são os seus nomes. A entrada na Mata (entre as 9h e as 19h) é gratuita para quem se desloque a pé ou de bicicleta, mas tem uma tarifa variável caso entre de moto (2 €) ou de carro (5 €).

Se não quiser pagar a entrada, pode deixar o carro na parte de fora das muralhas e fazer o percurso a pé. As portas ficam a distâncias diferentes, sendo que a que está mais perto do Convento e do Palace Hotel é a Porta da Rainha.

3.

Lá dentro tem o  Convento de Santa Cruz do Buçaco,  ligado à prática eremítica da Ordem dos Carmelitas Descalços, no século XVII, que incentivou a criação da envolvente natural. Sabia que 80% da área da Mata, chamada Arboreto, é resultado do processo de reflorestação feita pelos monges Carmelitas Descalços?

A partir de 1888 um novo impulso arquitetónico trouxe ao Buçaco o Palace-Hotel, um hotel de cinco estrelas, que permanece como um dos locais patrimonialmente mais ricos na sua diversidade compositiva. O edifício hotel é fascinante. Parece desenhado. Não há “queixo que não caia” frente àquela estrutura de estilo neomanuelino, cheio de arabescos e florescências. O “jardim novo” construído à sua volta, dá-lhe ainda mais vida. Amplo e bem ordenado, foi criado na altura da construção do palácio e inspirado nos jardins barrocos franceses, com sebes cuidadosamente aparadas e modeladas para formarem desenhos, uma extensa pérgula num plano mais elevado, e um pequeno lago habitado por patos.

4.

O Buçaco em 27 de setembro de 1810 foi palco da conhecida Batalha do Bussaco , que pôs em confronto os exércitos francês e anglo-luso, este último liderado pelo General Duque de Wellington. Esta batalha foi um exemplo fulcral de tática defensiva em contexto militar. Por isso, a Mata do Buçaco conserva muito espólio militar que pode ser observado num dos trilhos temáticos – Trilho Militar – e visitando o Museu Militar do Buçaco, criado em 1910, que tem expostas valiosas coleções que remetem para esta batalha napoleónica.

5.

Numa combinação emblemática de património natural, religioso, arquitetónico e cultural, podemos encontrar, dentro da Mata, 4 trilhos temáticos que fazem jus ao seu património.

✔️ O Trilho da Floresta Relíquia

Duração aproximada: 2h | Grau de dificuldade: médio | Tipo: Circular | Ponto de partida e chegada: Convento

Pontos de interesse: Cedro de São José, Floresta do Adernal, Portas de Coimbra, Miradouro da Cruz Alta.

✔️ Trilho da Água

Duração aproximada: 2h | Grau de dificuldade: médio | Tipo: Circular | Ponto de partida e chegada: Convento

Pontos de interesse: Cedro de São José, Vale dos Fetos, Fonte Fria, Lagos Grande e Pequeno; Fonte do Carregal, Fonte de Santa Teresa, Fonte de Santo Elias, Fonte de S. Silvestre, Samaritana e Cascata.

Nós fizemos uma mistura destes dois trilhos porque, como diz Saramago, “A Mata do Bussaco não se descreve, o melhor é perder-nos nela” Viagem a Portugal

✔️ Trilho da Via Sacra

Duração aproximada: 3h | Grau de dificuldade: Média | Tipo: Circular | Ponto de partida e chegada: Convento

Pontos de interesse: Capelas dos Passos da Prisão e da Paixão de Cristo (especialmente Pretório e Calvário)

✔️ Trilho Militar

Duração aproximada: 3h | Grau de dificuldade: Fácil | Tipo: Circular | Ponto de partida e chegada: Convento

Pontos de interesse: Convento de Santa Cruz do Bussaco, Porta de Sula, Moinho de Sula, Obelisco e Museu Militar.

Para aceder ao mapa dos trilhos pode descarregar o mapa da autoria da Fundação Mata do Bussaco ou comprar na Loja e Posto de Informação da Mata. Aconselha-se roupa e calçado adequado.

À data da visita cada mapa tinha o custo de 1€. Há um mapa para os Trilhos da Floresta Relíquia e das Águas e outro mapa para os Trilhos da Via Sacra e Militar.

6.

Há também a Grande Rota do Bussaco, que é um percurso linear com um total de 56 km. O epicentro é a Mata Nacional do Buçaco e estende-se por três ramais distintos: 1) Mealhada – Bussaco (12 km); Mortágua – Bussaco (21 km) e Penacova – Bussaco (23 km). Para mais informações ver o folheto aqui.

7.

Tem vários miradouros, com destaque para a Cruz Alta, que fica a 550 metros de altitude. Num dia aberto, a vista é fantástica. Este Miradouro pode ser acedido a pé, pelo Trilho da Floresta Relíquia, ou de carro (que fica a 6 km da Mata Nacional). Deste Miradouro pode visitar o Adernal (que está inserido no Trilho da Floresta Relíquia) sem fazer o trilho. Basta descer um pouco a pé. Fica a dica.

8.

A Mata do Buçaco é monumento nacional desde dezembro de 2017 e é candidato a Património Cultural pela UNESCO.

9.

O ideal é ir de carro para poder aproveitar outras atrações espalhadas pela região, com particular destaque para a vila de Luso, conhecida pela sua estância termal. É uma vila muito pitoresca, com casas apalaçadas que espreitam por entre o verde da vegetação. Tem o Grande Hotel do Luso, que marca presença na paisagem, e dá conforto a quem procura os serviços de bem-estar das Termas do Luso. É, também, um bom local para comer uns peticos. Aqui recomendamos as asas de frango, os hambúrgueres amassados na hora, as bifanas e os bitoques da Tasca do Burriqueiro.

10.

Buçaco ou Bussaco?

A dualidade da grafia parece ser um problema bem mais complexo do que parece. A forma correta atual é Buçaco, mas a grafia Bussaco continua a ser utilizada principalmente para fins turísticos ou no âmbito da cultura local, por exemplo, temos o «Palace Hotel do Bussaco», a «Fundação da Mata do Bussaco», as «Casas do Bussaco», «Grande Rota do Bussaco» ou a «Batalha do Bussaco». Antes da reforma ortográfica de 1911, escrevia-se Bussaco (com ss), mas com o acordo ortográfico de 1945, a grafia do topónimo passou a ser Buçaco.

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novembro 2021
Marcelo Andrade, do Ir em Viagem
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