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PR15 – Uma Viagem à Pré-História, Serra da Freita

Neste artigo pretendemos partilhar a nossa experiência pelo PR15 – Uma viagem á pré-história, na Serra da Freita, em Arouca. Foi o segundo trilho realizado no âmbito do projeto #trilhaconnosco (ver em baixo).

Oferecemos 17 quilómetros de uma “viagem à pré-história” e o grupo respondeu com uma mão cheia de energia, à boa moda nortenha. Como recompensa, almoçamos nos píncaros da natureza. Percorremos o planalto da Serra da Freita, passamos por algumas aldeias típicas da região (Merujal, Cabaços e Castanheira), visitamos alguns dos mais significativos geossítios da Serra, com destaque para as Pedras Parideiras, a Frecha da Mizarela e as Pedras Boroas do Junqueiro, e encontramos alguns testemunhos de monumentos funerários pré-históricos, mas é impossível descrever a imponência da paisagem. A história de cada pedra transforma calhaus em monumentos e há por ali uma energia tão especial… quase igual à do nosso grupo.

INFORMAÇÕES técnicas do trilho

Designação:  PR15 -Uma viagem á pré-história
Localização: Serra da Freita, em Arouca
Distância17 quilómetros
Tipo de trilho: Pequena rota circular
Início do percurso: Merujal
Duração prevista: cerca de 6 horas
Mapa do percurso:  Veja aqui o mapa proposto pelo site do Arouca Geopark
Nível de dificuldade: Médio
Época do ano mais aconselhada: Todo o ano, mas deve levar em consideração que, no inverno, a Serra da Freita fica sujeita a baixas temperaturas.
Características do trilho: Geossítios, paisagens rurais e de montanha, riqueza geológica, histórica e paisagística, vistas sob o maciço da Freita

As expectativas estavam em alta. Tínhamos pela frente um trilho grande, no planalto da Serra da Freita, com uma paisagem marcada pelo granito e pelo xisto, que marcam a geologia de Arouca. Eram 9h30 da manhã e, apesar de ser fevereiro, a Serra da Freita acordou sorridente e iluminada. As expectativas ficaram ainda mais em alta.

Juntamos 25 pessoas e começamos a caminhada.

O PR tem inicio e fim na aldeia do Merujal, junto ao painel informativo ali existente, mas nós optamos por iniciar o percurso na Área de Lazer de Albergaria da Serra. Seguimos as indicações que nos leva por um caminho que segue junto ao Rio Caima até a um local denominado Junqueiro. Tudo à nossa volta é pedra e serra, e é nela que paramos no primeiro geossítio deste percurso – as Pedras Boroas do Junqueiro – que é um estranho fenómeno geológico que deu à pedra uma textura curiosa, parecida com a côdea da broa. Esta não se come, já os famosos doces conventuais com o mesmo nomes, feitos de doce de ovo e amêndoa com recheio de chila, são de comer e chorar por mais.

Dica: Não percam os doces conventuais da Casa Dos Doces Conventuais de Arouca. Aqui podem encontrar a incontornável doçaria conventual e outros produtos regionais com nomes muito originais.

Daqui seguimos em direção ao lugar do Vidoeiro, por um estradão florestal. As eólicas vão marcando o passo e fazendo companhia.

No Vidoeiro o percurso faz um cotovelo apertado e, seguimos o caminho da direita, em direção a sul, para alcançar o ponto mais elevado do percurso, com cerca de 1050 metros. Entramos num troço de calçada muito antiga – uma ligação romana de Viseu ao Porto – que nos leva à Mamoa da Portela de Anta (sepultura megalítica). Continuando para sul, entramos numa elevação constituída por um verdadeiro caos granítico, mas que nos oferece uma magnifica panorâmica sobre o planalto da Freita e a bacia hidrográfica do Alto Caima.

Chegados à estrada de asfalto, a sinalética indica que devemos seguir por um carreiro em direção à aldeia da Castanheira. O caminho até lá tem algum declive e muita pedra solta, o que nos pede alguma precaução, mas a vista é fantástica. Na aldeia de Castanheira encontramos o 2.º geossítio deste percurso, as Pedras Parideiras. Um fenómeno único no mundo, considerado uma ocorrência geológica inédita e complexa (estima-se que tenha mais de 320 milhões de anos), onde “pedras parem outras pedras”.

Dica: Se quiserem saber mais sobre este fenómeno, visitem a Casa das Pedras Parideiras, que está a funcionar desde 2012, e onde poderão observar os pormenores que a ciência nos dá sobre este geossítio. Contudo, o complexo das Pedras Parideiras é de acesso livre, sem horários estabelecidos e pode ser visitado de forma gratuita.

Curiosidade: Em torno deste fenómeno, desenvolveu-se a ideia de que as pedras paridas teriam poderes milagrosos. As populações locais acreditavam que se uma das pedras-filhas fosse colocada debaixo da almofada, poderia aumentar a fertilidade da mulher. Para mais info consultem o site do Visit Arouca

E, pendurados na Serra, com vista para a Frecha da Mizarela, paramos para almoçar e recuperar energias. Não podíamos ter escolhido melhor!

Depois de almoçarmos, saímos da aldeia de Castanheira em direção a Cabaços. Passamos por campos de cultivo, ladeamos muros e subimos uma encosta com cerca de 70 metros de desnível. Em cabaços começa a aparecer a indicação para o PR7- Nas escarpas da Mizarela e percebemos que estamos no caminho certo. A partir daqui é sempre a descer, e muito, até chegarmos novamente ao Parque de Lazer de Albergaria.

Dica: Caso não consiga ou não possa fazer o número total de quilómetros do PR15, uma hipótese é começar o percurso no Parque de Lazer de Albergaria (que foi o que nós fizemos) uma vez que, a cerca de 12 km de percurso feito, irá passar por lá novamente. O que recomendamos é que, caso escolha esta opção, desça uns metros em direção à Frecha da Mizarela para não perder este fantástico geossítio.

O cansaço já se sentia e os carros estavam ali à distância de dois passos, mas ninguém desistiu. As expectativas mantinham-se em alta. Seguimos as indicações que nos encaminha para a Frecha da Mizarela. Chegamos ao 3.º geossítio deste percurso. Do miradouro da maior cascata de Portugal, com mais de 60 metros, os nosso olhos perdem-se na imensidão da paisagem. Lá ao longe, do outro lado do vale, à distância das pernas cansadas, a aldeia da castanheiro onde tínhamos almoçado. _”Ali? Tens a certeza que nós já estivemos ali? Vou ter de fotografar para mostrar, senão ninguém vai acreditar!!”, exclamava a Sara, em tom de brincadeira. Chegando ao miradouro, recupere o fôlego e admire a vista, a frecha, o vale do Caima e a aridez da pedra decorada pelos campos de cultivo em socalcos. 

De regresso ao PR15, continuamos pelos caminhos bem definidos até ao Merujal (onde o trilho oficial inicial e termina), passamos pela aldeia, seguimos pelo parque de lazer contíguo ao parque de campismo do Merujal e terminamos o PR15 no Parque de Lazer da Albergaria da Serra. Por lá ficamos em convívio demorado, afinal a Serra da Freita tinha acordado a sorrir para nós.

Dica: Quando escolhemos fazer este trilho, optamos por aproveitar o fim de semana e ir logo no sábado. Arouca é um território cheio de riquezas (culturais, naturais, etnográficas, geológicas, gastronómicas) e queríamos explorar algumas delas. Para isso recomendamos vivamente que consultem o Visit Arouca, um site cheio de propostas de roteiros, do que ver, fazer, (onde) comer e dormir, e que vai ajudar-vos a organizar uma visita à região. O melhor de Arouca num só dia, dois dias em cheio! ou Arouca sem segredos, são algumas das propostas.
Em Arouca almoçamos na Casa Testinha, conhecida pelo seu frango frito e pelas sandes virgem (avisamos já que têm de lá ir para saber o que são), deliciamo-nos com os doces conventuais da Casa Dos Doces Conventuais de Arouca e ficamos a dormir no Hotel Rural da Freita, que fica muito próximo do início do PR15, com vistas privilegiadas sobre a Frecha da Mizarela.

#trilhaconnosco

é o nome do Projeto. O conceito é simples e totalmente despretensioso.

✔️ Nós escolhemos um trilho que queremos explorar. Atenção que será sempre um percurso que não conhecemos. Por isso, o espírito é de aventura.
✔️ Divulgamos previamente as características do trilho, a data, a hora e o ponto de encontro.
✔️ Não é um grupo organizado, nem será pago.
✔️ Pretende ser apenas um momento de partilha.
✔️ Só precisas de calçar as botas de caminhada, aparecer à hora marcada e trazer boa disposição.

1.º Trilho: PR6 – Rio Marão 

2.º Trilho: PR15 – Uma viagem á pré-história

3.º Trilho: Trilho das (sete) pontes

⭐⭐⭐⭐

Esperamos que as nossas sugestões e imagens vos inspirem a ir e ajudem a preparar a viagem.
Sigam as nossas redes sociais e alguma dúvida ou questão, partilhem connosco. Escrevam nos comentários e nós responderemos brevemente.
E já sabem… o importante é IR!

Detalhes
6 de Fevereiro 2022
Marcelo Andrade, do Ir em Viagem
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Comentários

  • Jussara Gontow
    26 de Março, 2022

    Quando haverá a próxima trilha ?
    Gostaria de participar

    Responder

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