Castro Laboreiro e os seus tesouros

IMG_9663 copieCastro Laboreiro foi o destino. O objetivo era fazer o Trilho Interpretativo de Castro Laboreiro a pé. Um trilho circular de pequena rota, com cerca de 6 km de distância. O objetivo era fazer o Trilho, mas acabou por ser muito mais do que isso.

Chegamos logo pela fresca (estavam 2 graus). Castro Laboreiro é uma vila pertencente ao concelho de Melgaço, no extremo norte do Parque Nacional da Peneda-Gerês. Está tão perto de Espanha que lhe aperta a mão todos os dias, e até lhe fala com sotaque, tal é a longa história da região. Dizem que a cultura castreja desenvolveu-se no século VI a.C. Por isso, Castro Laboreiro tem um dos patrimónios pré-históricos mais ricos do país – gravuras e pinturas rupestres, dólmenes e monumentos megalíticos funerários (que podem ser visitados no Trilho do Megalitismo de Castro Laboreiro), e um património arquitetónico classificado como monumento nacional – a construção castreja (que pode ser aprofundado no Trilho Castrejo). Uma região cheia de personalidade! Começamos pelo centro. Visitamos a Igreja Matriz, cuja padroeira é Nossa Senhora da Visitação. Vale a pena entrar e espreitar o espaço Padre Aníbal Rodrigues, que nos brinda com um acervo documental e artístico de grande valor histórico. Ao lado da Igreja, o Pelourinho e o fontanário, datados do século XVI (1560), fazem-nos viajar no tempo.

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Igreja da Nossa Senhora da Visitação

Seguimos o trilho. Chamam-lhe Interpretativo. Afinal não estamos nós a visitar um Museu, mas ao ar livre? Da Igreja seguimos em direção ao Cemitério, que estava em ampliação, talvez um reflexo do envelhecimento da sua população. Pelo caminho ecnontramos a Ponte Velha de Castro Laboreiro. A primeira de muitas. Uma ponte empedrada que servia como travessia do rio Laboreiro, para quem rumava ao Castelo. As inúmeras pontes romanas ou medievais são um traço característicos da região. Seguimos o trilho.

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Ponte Velha de Castro Laboreiro

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Aos poucos vamo-nos afastando da vila e começamos a subir em direção à Branda da Portela. Lugar para onde se levava o gado para pastar. Uma subida exigente. Como era difícil a vida das gentes daquele tempo!! Os passos tornam-se mais curtos e demorados. O silêncio é tanto que só ouvimos o som das botas a pisar a terra molhada e a respiração e o  batimento cardíaco acelerados. Mas vale o esforço, pois quando chegamos ao Planalto de Castro Laboreiro (atingindo o ponto mais alto deste percurso – 1100 metros de altitude), o miradouro natural sob o vale do rio Laboreiro, cercado por um maciço rochoso inacreditável e blocos de granito ponteagudos, é, sem dúvida, a paisagem mais bonita de todo o trilho. Pára um pouco, e deixa que a paisagem descanse em ti.

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As indicações não nos deixam perder o trilho. Estávamos no caminho certo. Começamos a descer em direção às Veigas. A proximidade à água dá à paisagem uma cor de alegria e o som do rio passa a fazer-nos companhia. Por caminhos lajeados e murados dos dois lados, fomos descendo até à bifurcação. Se seguirmos pela esquerda encurtamos o trilho e regressamos à vila. Se seguirmos pela direita, que foi a nossa opção, o caminho é mais longo, mas brinda-nos com a área de lazer das Veigas,  protegida pela montanha da Peneda. Uma área plana que parece perdida no meio do nada. Caminhamos mais um pouco e sem contar, lá surge ela, a Ponte da Veiga. Um detalhe, um apontamento, que torna a paisagem mística e com tom de estória. Tenho quase a certeza que Dom Quixote  por lá passou. Seguimos o trilho e regressamos à vila.

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Área de lazer das Veigas

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Ponte da Veiga

Castro Laboreiro é tradição. Na rua, a mulher castreja mais serrana veste trajes  escuros, coloca a capa à cabeça e usa uma espécie de calça branca feita de lã grossa de ovelha que as protege do frio e do mato. Sempre agarradas ao cajado, “tornam-se pontos negros nos campos do planalto ou nas encostas da Serra da Peneda”. A agricultura domina, os bovinos de raça barrosã passeiam-se tranquilos pelas ruas, e os rebanhos de cabras são guardados por cães de Castro Laboreiro. Andam pelas ruas e são grande motivo de orgulho das suas gentes. Por isso, não podíamos ir embora sem visitar o Canil da Raça do Cão Castro Laboreiro, que tem como objetivo a preservação e valorização da raça. A D. Sara, proprietária do canil, mostrou-nos o espaço, explicou o trabalho que desenvolvem e falou sobre as características da raça. Apesar de serem de grande porte, são meigos e dóceis. “Nascidos e criados” nesta região montanhosa, os cães de Castro Laboreiro são uma das raças mais antigas da Península Ibérica (século VIII). Perdemo-nos por lá…

O avançar da hora já não nos permitiu visitar o Castelo que, em terreno de difícil acesso, só é alcançado a pé. Nem experimentar os pratos típicos castrejos que incluem carne de cabrito, a broa de centeio de de milho, como no bacalhau com broa, e enchidos. Ficamo-nos por uma boa sopa, com vistas para o Miradouro do Castelo.

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O objetivo era fazer o Trilho, mas acabou por ser muito mais do que isso.

 


calendar-icon Este passeio foi feito em Fevereiro 2018

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