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À procura do nordeste: Bragança e Parque Natural de Montesinho


De Bragança a Lisboa,
São 9 Horas de distância
Hei-de ter um avião
Para lá ir mais amiúde

Xutos e Pontapés

Bragança já não fica a 9 horas de distância, como cantam os Xutos e Pontapés, mas continua a estar situada no extremo nordeste de Portugal. Bragança é capital do distrito, na Região Norte e sub-região de Terras de Trás-os-Montes (Nordeste Transmontano). É limitado a norte e a leste por Espanha a sueste por Vimioso, a sudoeste por Macedo de Cavaleiros e a oeste por Vinhais. Fazendo parte da Rota da Terra Fria.

Passo a passo, de mapa na mão e muitas vezes “sem sinal”, foi assim que andamos a visitar Bragança e o Parque Natural de Montesinho (PNM), de 19 a 21 de junho, no âmbito da iniciativa #euficoemportugal, promovida pela ABVP – Associação de Bloggers de Viagem Portugueses e apoiada pelo Município Bragança. Um programa delicioso para os sentidos e que teve selo “clean & safe”.

No dia 15 de julho passou na Antena 1 um pouco do que foi a nossa experiência por Bragança e pelo Parque Natural de Montesinho. Para quem quiser ouvir, clique aqui. Um obrigada ao Tiago Fernandes Alves pela excelente gestão do tempo, senão a Vera ainda estaria a falar, o Marcelo a curtir o microfone e os phones e ambos a tentar resumir uma “barrigada de experiências”.

“Quanto mais andamos, mais nos apercebemos do quanto ficou por visitar… mesmo assim, temos tanto para vos contar. Se fosse hoje tirava nota 20 em ciências naturais e do ambiente, de tanto que aprendi sobre fauna e flora, que é particularmente rica e diversificada no PNM. Estivemos entre montanhas, lameiros, bosques autóctones, rios límpidos e aldeias comunitárias. Comemos do produto da terra – castanha, mel, posta e carne de caça, enchidos, cogumelos – e sucumbimos ao pecado da gula. Adentramos uma cidade que reage ao isolamento à boleia de bons museus, eventos culturais, lojas com novos conceitos, artesãos de excelência, onde o cosmopolitismo e a tradição dialogam na perfeição. Descansamos em alojamentos com alma que deviam fazer parte de qualquer “must-do list”. E conversamos imenso… devia haver “estrelas michelin” para as pessoas”.

conteúdos

1. A cidade de Bragança
– “Era uma vez…” um castelo
– Centros históricos são sempre bonito
2. Parque Natural de Montesinho (PNM), Bragança
– O PNM é verde donai
– Do tosco se faz o belo: os artesãos
– Pela rota das aldeias
– Rio de Onor não é uma aldeia qualquer
3. “Ó Entrudo, Ó Entrudo chocalheiro”
4. A gastronomia: ser um “bom garfo”
5. Onde dormir (descansado)

1. a cidade de bragança

“era uma vez…” um castelo

Começamos a nossa visita pela Cidadela de Bragança que é um espaço fortificado, que fica na zona alta da cidade, e que é de visita obrigatória para quem passe pela região. Lá dentro tem as muralhas do Castelo, a Torre de Menagem que abraça o Museu Militar, um Pelourinho invulgar e a Domus Municipalis, exemplar único de arquitetura civil românica existente em Portugal, que é beijada pela Igreja de Santa Maria. Tudo isto se visita por ruas que andam devagar, entre lendas de princesas e tradições que se eternizam no Museu Ibérico da Máscara e do Traje. Para paladares mais sofisticados, têm tascas e tabernas renomeadas, como a @tascadozetuga e a @tabernadojavali, entre outros pequenos bares que dão vida às muralhas.

Castelo de Bragança


Se puderem, vão ou voltem ao Castelo ao final da tarde. No momento em que o sol se começa a pôr, o cinzento das muralhas vira cor ocre da terra. E assim se junta mais um dia aos cerca de 800 anos de história.

os centros históricos são sempre bonitos

Descemos do Castelo à hora do almoço e antes de continuarmos a nossa visita pelo centro da cidade fomos almoçar ao restaurante Solar Bragançano, que fica mesmo junto à Sé, num edifício antigo que dizem ser do século XVIII. Quando te dizem “não cozinhamos nada que a minha avó não conhecesse”, tu sentas-te e confias.

“Entrar no Solar Bragançano é fazer uma viagem por 34 anos de história e de ousadia na tradição. Na cozinha da D. Ana Maria, os potes de ferro descansam as três pernas numa lareira “à moda antiga”, onde se grelham as carnes, a caça, os enchidos e onde se faz as comidas tradicionais transmontanas, tudo “coisas de família”. Na sala, ou preferencialmente no jardim, que é um espaço encantador rodeado de verde, o serviço tem o glamour das toalhas de algodão, das louças da Vista Alegre, dos cristais e da nobreza de trato do Sr. Desidério. Fomos almoçar, mas ficamos a sonhar com um jantar à luz de velas! Impõem-se os pratos de caça, mas tudo é bom! O Solar Bragançano é muito mais do que um restaurante e quem lá vai percebe isso!”

Fora das muralhas, estava prometida uma “viagem eletrizante” pelo centro da cidade, que é um “Satisfaz Bastante” na oferta cultural, patrimonial e comercial. Da Praça da Sé, a partir da qual as artérias da cidade se espandem e se organizam, iniciamos a nossa visita, que não teve ordem, mas vontades.

Começamos pela antiga Sé de Bragança que foi construída durante o séc. XVI. Seguimos para o Centro de Arte Contemporânea Graça Morais, que apresenta obras desta pintora contemporânea e outras coleções de artes plásticas. Fomos ao Centro de Fotografia George Dussaud, que é de visita obrigatória para quem quer conhecer “o norte do Norte”, como o fotógrafo gosta de chamar a Trás-os-Montes. E, no antigo paço episcopal, está instalado o Museu Abade de Baçal com um valioso acervo que dá a conhecer a história religiosa, social, política, económica e artística do Nordeste Transmontano.

Passeamos ao longo do Rio Fervença, que atravessa a cidade e enfeita a Zona Polis de Bragança, e subimos ao Miradouro da Nossa Senhora da Piedade. A contar pelas escadas, não há pecado (da gula) que não fique redimido. Divertimo-nos como crianças no Centro de Ciência Viva e, na Casa da Seda, ficamos enlevados com a arte da criação do bicho-da-seda.

Pelas ruas da cidade vais-te fascinando com os edifícios, os solares, as pequenas igrejas, os pormenores arquitetónicos, mas também com uma arte urbana que põe paredes velhas a falar novas linguagens. Aliás, na arte de dar novas roupagens ao antigo, podemos visitar a antiga estação ferroviária de Bragança que foi reconvertida num interessante e diferente terminal rodoviário.

Novas linguagens encontramos também na criatividade dos novos espaços feitos de bom gosto, no paladar e na estética. Destacamos o @marronoficinadacastanha que é o primeiro espaço do país especializado em Castanha e seus derivados, o @lostcorner215 uma “wine house” cheia de charme, o @craftdraft.pt com cerveja artesal ou o @almalusaembraganca cujo lema é “petiscos, artesanato e boa música portuguesa”, geridos por malta nova, empreendedora e cheia de energia.

Nem todos são filhos da terra, mas tornaram-se filhos dela. Sentamo-nos à mesa e brindamos… várias vezes! No final, quase nos sentimos tentados a subir novamente as escadas até ao Miradouro da Nossa Senhora da Piedade,

2. Parque Natural de Montesinho (PNM), Bragança

Parque Natural de Montesinho (PNM) é uma área protegida situada no Nordeste Transmontano, com uma dimensão de cerca de 75 mil hectares. Está localizado na Terra Fria transmontana e estende-se pelos concelhos de Bragança e Vinhais. Na nossa visita, exploramos a parte do PNM do concelho de Bragança, deixando Vinhais para uma próxima visita. Este foi o nosso segundo e terceiro dias por terras bragançanas.

“Não se pode conhecer uma terra sem nunca a ter visitado”.

Rota da Terra Fria

Não podíamos concordar mais. O Parque Natural de Montesinho é um hino à fotogenia. Não precisa de photoshop e não há objetiva que subjective o que estamos a ver, a cheirar e a experienciar. O Nordeste Transmontano tem uma fauna e uma flora particularmente ricas e diversificadas e o PNM oferece-nos tudo isso na sua plenitude.

o pARQUE NATURAL DO MONTESINHO é verde donai

Sabiam que cerca de 75% das espécies animais que existem em Portugal, podem ser observadas lá? E que podemos encontrar o lobo-ibérico, raposas, veados, corços, javalis, águias e cegonhas? Não vimos corços nem veados, mas andamos livres como eles. A melhor altura para os ver é em setembro, na brama dos veados (período reprodutivo dos veados).

Nas margens dos rios, sedentas de água fresca, encontramos amieiros, bétulas, freixos e choupos. Vaidosas que chegue, refletem a sua imagem nas águas límpidas dos rios e ribeiros, enquanto são acariciadas por borboletas e libelinhas. A paisagem é feita de lameiros (prados) com papoilas esvoaçantes, grandes extensões de bosque de carvalho negral, sardoais, bonitos soutos de castanheiros e searas de trigo e centeio. Trás-os-Montes produz mais de 80% da castanha portuguesa. E a boa notícia é que não vimos Eucaliptos.

A beleza do PNM é umbilical, liga-nos à natureza, e por isso tem tanto de agreste e tosco como de graciosidade e delicadeza. O Parque Natural de Montesinho é verde Donai porque, como a pedra que lhe dá o nome (serpentino), é único em Portugal e um luxo que temos a sorte de ser nacional.

Do tosco se faz o belo: os artesãos

Em pleno coração do Parque Natural Montesinho, na aldeia de Aveleda, visitamos dois artesãos. As artes são diferentes, mas a paixão e a dedicação similares. Gilberto Ferreira faz navalhas e facas artesanais com mestria. Tempera o aço sobre o carvão incandescente e aplana a lâmina com um martelo. No final faz as pegas à medida da inspiração ou a pedido do cliente, usando madeira ou as hastes do veado (que caem naturalmente todos os anos). “Não há uma navalha igual”, diz com orgulho na voz. Na oficina de Gilberto, o ditado não se aplica; em casa de ferreiro, o espeto não é de pau, mas de uma bonita cutelaria artesanal.

Gilberto Ferreira

A arte de Isidro Rodrigues é outra, mas com cheiro a tradição. É escultor/ artesão de máscaras dos Caretos de Aveleda – Bragança, que são usadas na festa dos rapazes, que se realiza no dia 25 de dezembro. À chegada, num tom divertido, diz-nos: “entrem sem medo, não faltam máscaras aqui”! e por ali ficamos rendidos às histórias e à arte de fazer as “caretas” que são de lata ou latão velho, que é trabalhado “como se fazia há 100 anos”, e ornamentado com guizos, cornos, pelo e lã de animais.

De facto, não há melhor “beijo encantado” do que aquele que sai da produção de um artesão.

pela Rota das aldeias

Passar e parar nas várias aldeias que estão inseridas no Parque Natural de Montesinho é obrigatório se quiser conhecer a arquitetura da casa transmontana (casas em granito e telhados de lousa), perceber como se conserva a memória da vida rural e como se guarda o segredo da vida comunitária.

Quem toda a vida partilhou só pode ser boa gente.

Aldeia de Montesinho

Visitamos 6 aldeias – França, Montesinho, Aveleda, Varge, Rio de Onor e Gimonde – mas muitas outras ficaram por explorar.

França é uma das aldeias que merece uma paragem, principalmente pela bonita Praia Fluvial que nos oferece. Estava calor e o rio Sabor sorria para nós. Não resistimos a um mergulho. O parque de merendas, que fica numa das margens do rio, começava a compor-se. Famílias e amigos em reuniões de domingo (com o devido distanciamento social). Ficamos por ali algum tempo… até o rio conhece a arte de bem receber. Mas os mergulhos não se fazem apenas no rio Sabor. Também podes mergulhar na natureza em passeios de cavalo pelo parque, que são promovidos pelo Centro Hípico, gerido pelo Robert e a Sally do @lagostaperdida (que também oferece alojamento na aldeia de Montesinho e outras atividades de natureza). Em Portugal desde 2001, apaixonaram-se por Montesinho. Mais um mergulho numa história inspiradora, de pessoas que amam a natureza e que nos deixam o recado: “divulgar, mas proteger”.

Praia fluvial da aldeia de França

Montesinho é outra pérola que merece a nossa visita. A estrada que nos leva é a que nos trás, um isolamento que a transformou numa das aldeias mais emblemáticas e bem preservadas, que conta com um aglomerado composto por um casario que mantêm a arquitetura popular transmontana. Sabia que a aldeia de Montesinho está localizada a 1030m de altitude?

Aveleda, além de ser uma aldeia com histórica e um património edificado muito interessante, é conhecida pelas suas tradições e lendas. É uma da aldeias, juntamente com Varge, onde ainda é realizada uma das principais tradições festivas da região – a Festa dos Rapazes (ver ponto 3.). E se perguntar aos seus moradores de onde são, espere pela resposta: “Sou da Ableda e a burra tamém”! Em Varge vá almoçar ao Restaurante O Careto, uma casa regional com paredes de xisto e forno de lenha, onde predominam as boas carnes da região.

Gimonde está muito perto de Bragança e, por isso, pode ser visitada à saída ou à chegada. Presenteia-nos com uma ponte de origem românica, também com a denominação de Ponte Velha, e uma poldra permitindo a travessia apeada do rio. Na pitoresca aldeia há diversos restaurantes, um deles bastante afamado – Restaurante Abel – para quem quiser comer uma boa Posta.

Gimonde

rio de onor é mais do que uma aldeia

Rio de Onor foi eleita, em 2017, uma das Sete Maravilhas de Portugal, na categoria de aldeias, e é um dos poucos locais do país que ainda tem um sistema comunitário de partilha de fornos, de terrenos agrícolas e pastoreio com a vizinha aldeia espanhola Riohonor de Castilla. Em Rio de Onor a palavra fronteira sempre significou entreajuda e abraço, mesmo quando existia a corrente a separar a estrada entre as duas aldeias/ países (a corrente só foi retirada em 1990 e está exposta na Casa do Touro que pode ser visitada na aldeia).

Rio de Onor não é uma aldeia qualquer, mas para perceberes isso tens de falar com os moradores. Se puderes, pergunta pelo Ti Mariano, que certamente te vai levar à adega da sua casa, oferecer um copo de vinho e contar, com a lucidez da experiência, como era a vida na aldeia. O Ti Mariano tem 88 anos e, naquele homem pequeno, encontramos a grandeza da paixão pela terra. Com a “vara da justiça” na mão explica-nos como é que as infrações às regras comunitárias eram registadas e sancionadas. “As multas eram pagas com vinho!”, diz-nos. E nós respondemos: “Ti Mariano, nós vimos morar para Rio de Onor”!! (risos)

Quanto mais conhecemos as aldeias e vilas raianas, mais nos apaixonamos por este interior genuíno e generoso. Rio de Onor pede permanência para ser vista ao ritmo da terra. Há paisagens para contemplar, há percursos sinalizados que podem ser feitos a pé de bicicleta e até de tuk tuk elétrico, e há um rio para explorar.

Dica: se quiseres ficar por lá, recomendamos a @casarionor que tem como lema “se o silêncio falasse, diria “Rio de Onor”

3. “ó entrudo ó entrudo… chocalheiro”

Bragança visita-se todo o ano e oferece-nos belezas muito diferentes, consoante as estações do ano. Mas há alturas que são imperdíveis e uma delas são as Festas de Inverno Transmontanas, que começam em novembro e terminam no dia a seguir ao Carnaval. A cultura transmontana é fértil em tradições de origem mítico-religiosas, de carácter arcaico, carregadas de autenticidade, por manterem uma relação direta com as raízes e a alma do povo. As mascaradas são um exemplo dessas tradições e a máscara um adereço indispensável ao exercício dos rituais mágicos, fazendo do mascarado (careto) o protagonismo nas celebrações.

O Careto de Trás-os-Montes é o homem (agora também com a presença de mulheres) que usa uma máscara com um nariz saliente, feita de couro e latão, preferencialmente, e pintada com cores vivas como o amarelo, vermelho ou preto. O fato é feito de colchas de fabrico caseiro, com franjas de lã colorida, composto de casaco com capuz e calças, recamados de espessas franjas de lã colorida. À cintura colocam uma enfiada de chocalhos para “chocalharem as raparigas solteiras”

No nordeste transmontano, as mascaradas acontecem todo o inverno e por todo o lado. São duas as festividades mais conhecidas. A Festa dos Rapazes (25 e 26 de dezembro), que é uma das tradições mais importante, com origem nos antigos rituais de passagem da adolescência para a vida adulta. Logo pela manhã, os rapazes (com mais de 16 anos) desfilam pelas ruas mascarados, chocalhando e interagindo com as populações. E o Entrudo Chocalheiro (sábado a terça de carnaval), que é o auge das manifestações de irreverência.

Um inverno festivo que, aos poucos, tem recebido reconhecimento. Na rota do turismo cultural e das raízes, o Entrudo é uma festa pujante que se conserva fiel a si próprio. Tem nos caretos o seu ex-libris, “diabos à solta” que chocalham atrevidamente quem anda pelas ruas. Correm e dançam. Improvisam. Divertem-se e divertem-nos. Devolvem-nos (à)as raízes. Talvez por isso tenham sido classificados, pela UNESCO, em 2019, Património Cultural Imaterial da Humanidade (Caretos de Podence).

Em Bragança, às Festas de Inverno transmontanas junta-se uma outra, o Festival do Butelo e das Casulas, que é um dos maiores eventos gastronómicos da região. Único e genuíno, diríamos nós. À mesa é servido um enchido feito de carne de porco, costelinhas e ossos do espinhaço (Butelo) acompanhado por feijão seco com casca (casulas), um prato forte, adequado aos rigores do frio. Em 2020, o Festival do Butelo juntou-se ao Carnaval dos Caretos e foi uma experiência inesquecível.


4. a gastronomia: ser um “bom garfo”

Não viajamos por causa da gastronomia, mas não há viagem que não tenha memórias de um bom convívio à volta da mesa, com doses nortenhas de comida, bebida e boa disposição. Sentamo-nos dois, mas no final já somos vários de “rosetas nas bochechas”.

Em Portugal come-se muito bem, o Norte é mestre exímio na arte do paladar e, em Bragança, o selo e a diferença estão nos pratos de caça (javali, veado, perdiz…), confeccionados nos tradicionais potes de ferro. Junta-se a suculenta posta de vitela mirandesa, que precisa apenas de uma pitada de sal e brasas bem quentinhas, e o cabrito de Montesinho, vindo de rebanhos que se alimentam da erva fresca do lameiros.

Na mesa transmontana não podem faltar, também, os enchidos – alheiras, chouriças, salpicões, presuntos, chouriços de mel – o o típico butelo que, em prato, é tradicionalmente acompanhado pelas casulas (cascas de feijão secas).

Javali com castanhas @tabernadojavali

Mas há mais três ingredientes que são magistrais em Trás-os-Montes – os cogumelos, as castanhas e o mel de castanheiro – que marcam, cada vez mais, presença nas ementas tradicionais e gourmet.

Ao longo do texto fomos falando e apresentando alguns dos restaurantes onde gostamos de comer, mas deixamos aqui uma lista sugestiva de alguns dos restaurante que merecem a sua visita:

  • Solar Bragançano (Bragança)
  • Restaurante O Javali e Taberna do Javali (Bragança)
  • Tasca do Zé Tuga (Bragança)
  • Alma Lusa (Bragança)
  • G Pousada (Bragança)
  • O Geadas (Bragança)
  • O Batoque (Bragança)
  • Tasca Noz (Bragança)
  • O Abel (Gimonde)
  • O Careto (Varge)

5. onde dormir (descansado)

Na nossa estadia em Bragança ficamos em três alojamentos diferentes:

betula studios

“Nunca sou a primeira a acordar, mas aquela varanda enorme, que cresce sobre o verde da paisagem, de prado e encosta de carvalhal, encheu-me as medidas. E lá fui eu, pé-ante-pé, contemplar a paisagem com a esperança de ver um corço ou um veado em passeios matinais. Parece que é comum eles darem o ar da sua graça por ali. Talvez não tenha acordado cedo o suficiente, mas deixei-me embalar nos lençóis confortáveis e no chilrear dos pássaros. “

Ficámos no Bétula Studios, na aldeia de Lagomar, em plena área do Parque Natural de Montesinho. Um projeto do António Sá e da Ana Pedrosa que desenharam um espaço com alma, perfeitamente integrado na natureza e com materiais e decoração de baixo impacto ambiental. Um conceito simples, mas não simplista, de quem não complica e vive no “glamping” da vida. Cada vez me convenço mais que o que faz os lugares são as pessoas, que podem elevar a tua experiência a algo inesquecível.

Logo de manhã, saímos com o António e com a Ana para fazer um pequeno trilho pela zona. Confesso. Aprendi mais numa hora do que com tudo que já tinha lido sobre o PNM. Uma Ted Talk de conhecimento sobre a “vida natural” do Parque, com direito a binóculos, desenhos no chão e muitas estórias. E foi só um passeio, imaginem como será nos tours que eles organizam. Percebemos que há duas formas de conhecer e sentir o Parque Natural de Montesinho. Uma é acordar lá, a outra é passear por lá. As duas são a perfeição. E isso encontramos no Bétula Studios.

casa do serra do apimonte

“Chegamos um pouco tarde Luís, nós sabemos! Mas mesmo assim recebeu-nos de sorriso generoso e disse: “Eu também não uso relógio”. E percebemos de onde vem essa felicidade estampada na voz sempre que fala das suas “meninas dos olhos”: a apicultura e os alojamentos locais. Experimentamos dos dois, num alpendre feito janela para um imenso céu estrelado que contemplamos até o sono chegar”.

A Casa do Serra, onde ficamos hospedados, fica na aldeia de Vilarinho no PNM, e é um dos alojamentos do @apimonte. Uma casa com quatro quartos com wc privativo, sala e cozinha totalmente equipada, varanda para lazer e churrascos e aquecimento central… não vá o ditado popular ser verdade “em Trás-os-Montes existem nove meses de inverno e três de inferno”.

Sozinhos, em família e/ ou com amigos, não faltarão coisas para fazer. Dali saem vários percursos pedestres, o alojamento tem bicicletas disponíveis e podem aliar a várias atividades ao ar livre, como a apanha de cogumelos, que é muito característico da região, e até conhecerem os 16 apiários com cerca de 900 colmeias de abelhas rezingonas, que produzem um mel com identidade, de fabrico biológico. Acreditem que é bom… aliás foi escolha gourmet de um urso pardo que apareceu na zona o ano passado. Até os ursos sabem o caminho. Obrigada Luís Correia pelo acolhimento e por nos mostrar que quando queremos muito o céu é o limite.

my historic house

O My Historic House é um miminho no centro de Bragança, bem perto do Castelo. Uma casa completamente equipada, pensada, remodelada e decorada por gente sorridente, o Daniel e a Carla, e de acolhimento transmontano. Sentimo-nos “em casa”. Sabemos que mesmo ao lado já têm o My Historic House 2 e que está muito bonita.

Detalhes
Visita realizada de 19 a 21 de junho 2020
Marcelo Andrade @iremviagem
Agradecimentos

Esta visita foi realizada no âmbito da iniciativa #euficoemportugal, promovida pela ABVP – Associação de Blogger de Viagem Portugueses e apoiada pelo Município Bragança.

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