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Arcos de Valdevez, onde Portugal se fez

Arcos de Valdevez é uma vila raiana, no distrito de Viana do Castelo, na região Norte de Portugal. O concelho é limitado a norte por Monção, a nordeste por Melgaço, a leste pela Galiza, a sul por Ponte da Barca, a sudoeste por Ponte de Lima e a oeste por Paredes de Coura. Desta interseção só podemos esperar o encanto característico do Alto Minho: paisagens verdes, arquiteturas solarengas e raízes carregadas de histórias longínquas – casas senhoriais, torres e pontes medievais – e um rio, o rio Vez, sempre poético.

Vamos levar-vos a passear pelos Arcos de Valdevez através da objetiva da máquina fotográfica, com breves explicações do locais que visitamos. Num primeiro olhar, adentraremos a vila, partilhando alguns dos monumentos e locais mais importantes da sua história. Num segundo olhar, algumas ideias do que podemos visitar no concelho dos Arcos de Valdevez, com uma forte ligação à natureza. E porque no Norte nunca podem faltar dicas sobre “boa cama e boa mesa”, deixamos também algumas sugestões.

Venham daí….

Um passeio visual pela vila dos Arcos de Valdevez

Comece pelo Largo da Lapa onde encontra a Igreja da Lapa e o Relógio de Água, ambos considerados ex-libris do centro histórico da vila. Não se sabe especificar a data concreta em que foi construída, mas estima-se que a Igreja da Lapa seja de 1750/ 1760 e, analisando as suas linhas de construção e características, atribui-se a obra ao arquiteto bracarense André Soares. Passeie pelas ruas e ruelas da vila.

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Igreja da Lapa/Relógio de Água
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Ruas do centro vila

A Ponte dos Arcos é outro dos pontos de interesse. É uma ponte de origem românica, reconstruída em 1876, que liga as duas margens da Vila dos Arcos de Valdevez e que teve uma grande importância no desenvolvimento de toda esta região.

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Ponte dos Arcos

À saída da Ponte Velha, encontrará o Cruzeiro do Senhor dos Milagres, uma marca religiosa da vila que foi erguida em 1831, por solicitação popular. A poucos metros, a Igreja Paroquial de São Paio. Começou a ser construída em 1781, mas só teve o seu término no séc. XIX. Tem uma escadaria imponente que nos leva ao átrio de entrada da Igreja.

Na margem do rio, o Recontro do Valdevez, um monumento que simboliza um dos momentos mais marcantes da história de Portugal, o encontro dos exércitos de D. Afonso Henriques e de Afonso VII de Castela e Leão. Não podiam ter escolhido melhor local para colocar este monumento. As margem do rio Vez são espaços abertos, verdes e convidam a passeios demorados.

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O Recontro de Valdevez

O Rio Vez atravessa todo o concelho dos Arcos de Valdevez, sendo o mais importante afluente do Rio Lima. Nasce na serra da Peneda/Soajo e desagua na freguesia de Souto, lugar de Milhundos. Embeleza a vila e é companhia para quem decidir fazer a Ecovia do Vez, que se divide em três Etapas. Na vila dos Arcos termina a Etapa 1 e começa a Etapa 2.

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Rio Vez

A Igreja Matriz dos Arcos é outro monumento que vale a visita. A sua edificação iniciou-se na última década do século XVII, sobre as ruínas de um templo anterior. Teve a sua conclusão dez anos mais tarde, em 1700. No largo fronteiro à Igreja Matriz de Arcos de Valdevez, encontra-se o Pelourinho, um monumento quinhentista, que foi originalmente construído no centro da Praça Municipal. Em 1895 foi colocado, definitivamente, pela Câmara Municipal, no local onde se encontra até aos dias de hoje.

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Igreja Matriz dos Arcos

Perto da Igreja Matriz está a Casa das Artes e a Biblioteca. A  Casa das Artes é um edifício setecentista conhecido, em tempos, por “Casa do Terreiro” ou do “Conselheiro”. Sofreu uma forte intervenção de restauro e instalação de novas áreas que lhe permite, hoje, ter uma melhor resposta a nível cultural. No seu espaço, uma biblioteca, um auditório e um espaço para exposições, onde se desenvolvem iniciativas culturais como cinema, teatro, música e acontecimentos locais.

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Casa das Artes

A Praia Fluvial da Valeta é daqueles locais ideais, especialmente no verão. Localizada no centro dos Arcos de Valdevez, é uma praia urbana situada na zona ribeirinha do Rio Vez. Um local muito agradável e bonito, com um bom apoio ao nível de infraestruturas, entre esplanadas, parques para as crianças e um passadiço que nos permite uma boa caminhada, com o rio como companhia.

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Praia Fluvial da Valeta

Já à saída da vila, em direção à Porta do Mezio, passa pelo Paço de Giela. É um dos mais importantes Monumentos Nacionais (classificado em 1910) e tem uma grande ligação à criação da “Terra de Valdevez”. Foi adquirido pela autarquia em 1999 e totalmente recuperado. Na torre, encontramos um espaço museológico com três pisos, por onde podemos viajar em várias vertentes, como a Arqueologia, a ocupação da região durante os vários séculos e, claro, toda a história do Paço de Giela.

O que fazer nos arredores

1. Aldeia do Soajo e os seus Espigueiros

A aldeia do Soajo pertence ao concelho de Arcos de Valdevez, e está em plena zona montanhosa da Serra do Soajo, que deu o nome à povoação. Um dos seus ex-libris são os Espigueiros. Chamam-lhe a Eira Comunitária do Soajo, tem 24 espigueiros, todos em pedra, que descansam sobre grandes rochas de granito, contemplando a serra. O mais antigo é datado de 1782.

Espigueiros – Eira comum
Espigueiro

2. Santuário da Nossa Senhora da Peneda

Alguém escreveu, a Senhora da Peneda “fica na garganta de um monte”. Não podia haver expressão melhor para se referir à imagem que temos quando lá chegamos. A sua invulgaridade torna o Santuário “peça única”. Receciona-nos no grande pórtico, onde nos convida a entrar. Conta-nos a vida de Cristo nas suas 20 capelas, estrategicamente dispostas numa alameda arborizada em escadório. No fim, sussurra-nos o segredo das virtudes, representadas por estátuas no seu último escadório: Fé, Esperança, Caridade e Glória.

3. Ecovia do Vez

A Ecovia do Vez é constituída por três etapas, num total de 33 km. A primeira etapa vai da Jolda S. Paio até aos Arcos de Valdedez e tem cerca de 12,5 km. A segunda etapa começa nos Arcos de Valdevez até Vilela, numa distância de quase 10 km. E a terceira etapa, de Vilela a Sistelo, faz-nos caminhar cerca de 10 km. Nós fizemos a segunda e terceira etapas, o que nos permitiu ter uma percepção de toda a beleza desta região do país e de todos os seus segredos naturais. Veja, em baixo. a nossa experiência.

4. Aldeia de Sistelo

A Aldeia de Sistelo, no concelho dos Arcos de Valdevez, está às portas do Parque Nacional da Peneda-Gerês, junto à nascente do rio Vez. Conhecido como o “pequeno Tibete português”, por causa da configuração dos seus terrenos, em socalcos, é uma marca identitária única, que tem sido moldada há centenas de anos. Os socalcos são a referência turísticas de Sistelo, mas é toda a importância que teve e tem no desenvolvimento agro-pastoril que torna estes socalcos peça preponderante na aldeia de Sistelo.

Um dos ex-libris da aldeia é a Casa do Castelo ou Castelo de Sistelo. Construído no séc. XIX foi transformado num centro interpretativo da paisagem cultural. Passeando pela aldeia, podemos ainda encontrar nos pátios e quintais das casas, alguns espigueiros, que são uma marca destas aldeias de montanha. Alguns deles restaurados, como uma boa parte do casario, o que lhe dá um charme diferente.  Mas como Sistelo é envolvido pela natureza, é também o ponto de partida e chegada de muitos trilhos incluídos no Parque Nacional da Peneda-Gerês.

Visitamos Sistelo duas vezes, em experiências bastante diferentes, mas ambas inesquecíveis. Uma foi durante o dia, quando fizemos a terceira etapa da Ecovia do Vez, como já partilhamos. A outra foi à noite – “Sistelo ao Luar” – e como escrevemos, “o trilho em si não é difícil, mas trilhos noturnos são sempre mais exigentes, como o são os sons da noite”.

Onde (gostamos de) comer

Provar a Carne Cachena com Arroz de Feijão Tarrestre é obrigatório. Uma especialidade da região. Nós fizemos a prova no Restaurante A Floresta, mas também nos foi aconselhado o Restaurante O Pote e o Restaurante o Lagar. Todos na zona histórica da vila.

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Diferente, mas igualmente recomendável é a Churrascaria O Braseiro. Comida saborosa, espaço aprazível e funcionários simpáticos e hospitaleiros. No final, por sugestão da casa, uma fatia de Bolo de Discos (bolo de amêndoas e ovos moles, especialidade da doçaria tradicional dos Arcos de Valdevez) e, à boa moda nortenha, garrafa de aguardente velha e de licor em cima da mesa.

Onde gostamos de ficar

Casas da Li
Todo o ambiente que circunda as Casas da Li pede tempo e descontração. Natureza, ruralidade, simplicidade, silêncio e experiências gastronómicas, são características intrínsecas do espaço, que nos obrigam a respirar fundo e a andar devagar.

Casa do Azevim
A Casa do Azevim situa-se na Branda da Bouça dos Homens, um pequeno lugar, com apenas dois habitantes, no limite do Parque Nacional da Peneda – Gerês. Daqui temos uma varanda para uma paisagem imponente e verde, onde os únicos sons que ouves são os cursos de água, as vacas que passeiam pelos caminhos e pastos. A Casa do Azevim rima com paz….


Detalhes
Outubro de 2018
Marcelo Andrade @iremviagem
Agradecimentos

Casa do Azevim

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